LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight (Análise) | A derradeira carta de amor à DC
- por Pedro Gomes
- 25 de maio, 2026
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Já lá vão 11 anos desde que o Arkhamverse, protagonizado por um dos maiores nomes da DC, recebeu o seu último título por via de Batman: Arkham Knight. Após isso, os fãs só tiveram nas suas mãos uma “continuação” do universo através do Suicide Squad: Kill The Justice League em 2024, título que falhou a convencer a crítica e os jogadores, algo que levou ao fim precoce do seu plano de Live Service após 4 temporadas e consequentes lay-offs no estúdio responsável, a Rocksteady.
Depois de um spin-off em realidade virtual, Batman: Arkham Shadow, também em 2024, levantou-se a questão sobre quem iria continuar o legado deste estilo de jogo que encaixou de forma tão perfeita na representação do protetor de Gotham…, e aposto que ninguém estava à espera que uma resposta se apresentaria em formato LEGO.
Aproveitando o talento dos produtores que estavam na Rocksteady aquando do desenvolvimento da icónica trilogia para ajudar nesta imponente tarefa, o estúdio TT Games optou por experimentar uma ideia genial: pegar no sistema de combate e jogabilidade que distinguiram as aventuras prévias e usá-las numa história que engloba um género de Best Hits de tudo o que é Batman, desde a sua criação por Bob Kane e Bill Finger em 1939, como as bandas desenhadas, filmes, séries e até os próprios jogos do universo Arkham.
Servindo como a derradeira carta de amor a um dos vigilantes mais conhecidos à volta do mundo, resta saber se Legacy of the Dark Knight tem o necessário para atingir o sucesso como um Batarang bem arremessado ou se a pontaria saiu ao lado.
Versão testada: PC
Onde comprar? Instant-Gaming por 48.99 €
Um extenso e vasto legado para acompanhar

Imagem capturada por Geekinout.pt
Em Legacy of the Dark Knight, o jogador toma as rédeas de Bruce Wayne, o afamado filantropo milionário durante o dia e combatente do crime durante a noite. Aproveitando várias inspirações cinematográficas, podemos acompanhar as suas origens, desde a perda dos pais em criança e os treinos de combate com a League of Assassins liderada por Ra’s Al Ghul, até à inclusão de membros para a Bat Family, como o primeiro Robin (Dick Grayson) e a Batgirl (Barbara Gordon).
Com inúmeras referências à cultura pop no geral e ao universo do Batman em si, além do tradicional humor slapstick bem conhecido das anteriores aventuras LEGO, temos ao nosso dispor seis capítulos distintos que mostram a evolução do vigilante de Gotham. Aqui encontramos homenagens a várias adaptações, como o velhinho filme de 1966 com Adam West, as produções da década de 90 com as quais cresci, a trilogia a cargo de Christopher Nolan e até o mais recente The Batman de 2022. Junta a isso os jogos do Arkhamverse, conteúdo das bandas desenhadas originais e das séries animadas, e tens vários pontos de referência familiares que me punham quase sempre a comentar: 'olha, olha, isto é de quando o Batman estava a perseguir o Penguin neste último filme'.
Com um elenco de vilões tão icónico como o de Gotham, seria uma pena se aqui encontrasses apenas alguns deles. Felizmente, graças aos diversos saltos no tempo entre capítulos, vais encontrar quase todos os teus favoritos — desde imensos retornados da série Arkham, como o Joker, o Riddler e o Mr. Freeze, a algumas inclusões menos comuns, como o Condiment King e o Cluemaster, com variados níveis de protagonismo.
Se, tal como eu, gostares de consumir conteúdo relacionado com este herói da DC, vais encontrar imenso para adorar neste título. Apesar de ser fortemente influenciado por todas estas referências, existe um esforço notório para manter uma narrativa coesa e fácil de acompanhar para todas as idades. É um trabalho muito bem realizado, que se pauta por um tom leve e repleto de piadas que vale perfeitamente a pena experienciar.
O regresso do estilo de luta Arkham

Imagem capturada por Geekinout.pt
Um dos pontos que mais me cativou ao ver os trailers deste jogo foi a inclusão do sistema de combate fortemente inspirado pelo Arkhamverse. Focado no confronto mão a mão, com movimentos fluidos e satisfatórios que realizam a fantasia de combater como o verdadeiro Batman, a TT Games fez aqui a escolha acertada. Apesar de ser mais acessível, ajustada a uma faixa etária mais jovem e adaptada a uma jornada cooperativa, aquela famosa receita de ação foi recriada de forma quase perfeita. O combate mantém a adrenalina de tentar alcançar um elevado número de ataques sem interrupções ou falhas, obrigando a uma atenção redobrada em relação aos diferentes tipos de inimigos para esquivas e bloqueios atempados.
Com uma variedade interessante de adversários e alguns bosses que obrigam a alterar a estratégia de luta, está aqui um bom sucessor espiritual para quem procura matar saudades do exímio estilo de combate que nos escapa desde Arkham Knight. Contudo, há pontos que ferem um pouco a experiência: a câmara nem sempre ajuda à ação e o grau de dificuldade é um pouco insatisfatório. Como o jogo procura oferecer um nível de desafio mais reduzido para acomodar os jogadores mais novos que queiram ajudar a defender Gotham, acaba por se esquecer dos veteranos que procurem algo que lhes encha melhor as medidas.
De volta a Gotham, com muito terreno para bater

Imagem capturada por Geekinout.pt
Voltando a bater na mesma tecla — algo inevitável face às fortes e óbvias inspirações tomadas na criação deste título —, em Legacy of The Dark Knight podemos patrulhar as ruas de Gotham tal como fazíamos em Arkham Knight. Seja com a ajuda do Batmobile, com vários modelos à escolha que representam as diferentes iterações do veículo, seja a planar e a catapultar-nos pelos telhados, há muito para fazer numa cidade que realmente não sabe o que é paz e sossego.
Além dos vilões e dos seus capangas que espalham o crime por todos os cantos, temos também o regresso de várias atividades já familiares para os fãs dos anteriores títulos da Rocksteady. A marcar estes regressos estão os puzzles do Riddler e as simulações de corrida, luta e voo protagonizadas pelo nosso fiel ajudante Lucius Fox. Por outro lado, os novos quebra-cabeças organizados pelo Cluemaster e uma horda de animais do Zoo que precisam de ser localizados são novas tarefas espalhadas pelos diversos setores da cidade, num mapa aberto de tamanho considerável que garante várias horas de jogo para quem gosta de deixar tudo a 100%.
A cidade está realizada de forma maravilhosa, repleta de painéis néon que iluminam as noites intensas (elevados pelos efeitos ray-tracing), edifícios enormes para escalar com o nosso gancho e um nível de detalhe francamente impressionante, considerando que é um jogo LEGO. O estúdio deu realmente o seu melhor para concretizar uma localização icónica e torná-la tão prazerosa de explorar e atravessar que raramente utilizei a opção de Fast Travel para me mover entre destinos, um elogio difícil de suplantar.
Duras noites pela frente, mas o Batman não está sozinho

Imagem capturada por Geekinout.pt
Para fazer face aos diversos vilões com os quais vamos ter de lidar, temos uma mão-cheia de fiéis companheiros ao nosso lado para nos ajudar. Sendo desbloqueados de forma progressiva ao longo dos capítulos disponíveis, o estúdio optou por reduzir drasticamente a quantidade de personagens à escolha, oferecendo em contrapartida mais profundidade de jogabilidade a cada uma delas. Com apenas 6 parceiros no total, cada um tem 2 gadgets distintos que podem ser melhorados através de Skill Trees, sendo estes essenciais para completar os vários puzzles no mundo aberto e nos níveis mais lineares da campanha. Para compensar, existem montes de visuais para equipar, retirados de várias origens da franquia, que podes adquirir na loja em troca de Studs ou desbloquear ao longo da história.
O modo cooperativo também está de regresso, permitindo que dois jogadores dividam o peso entre si para combater o crime e resolver quebra-cabeças de forma local. Enquanto um controla o titular Batman, que tem de estar sempre em jogo, o outro pode optar entre os diversos companheiros cuja disponibilidade vai variando ao longo das missões, num sistema que me trouxe um misto de emoções. Existem níveis em que o Batman não tem quase nada para fazer em relação aos puzzles, já que as ferramentas necessárias estão distribuídas pelas outras personagens, limitando a jogabilidade em certas secções. Seria melhor se o derradeiro protagonista do jogo pudesse também descansar as pernas e, enquanto um jogador controlava a Catwoman, o segundo pudesse já estar a ajudar noutra secção com o Robin, por exemplo, criando um maior dinamismo.
Para compensar este aspeto menos conseguido, um ponto muito forte é a possibilidade de um jogador aceder a ecrãs distintos — como o da Skill Tree ou o de seleção de aparência — na sua metade do ecrã, enquanto o outro continua a mexer-se livremente. É um sistema simples, mas que evita aquelas grandes frustrações de pausas desnecessárias quando só um dos participantes quer interagir com os menus ou em caso de misclick
Otimização e polimento
Quando o estúdio apresentou as tabelas iniciais de requisitos de sistema, a comunidade de PC deitou as mãos à cabeça com imensa razão para tal. Ao recomendarem uma RTX 4070 para 4K/60FPS com recurso a upscaling e Frame Gen, levantaram várias bandeiras vermelhas acerca da otimização do título. Felizmente, parece-me que houve um exagero nos requisitos e a experiência final é bem melhor, embora não isenta de problemas.
Com um 5800X3D, uma RX 9070XT e 32GB de RAM, consegui correr o jogo com tudo no máximo e obter uma média de 70-80 FPS a 1440p no mundo aberto, com recurso apenas a FSR, numa experiência bastante sólida, pelo menos enquanto joguei a solo.
Na Steam Deck, passei algum tempo igualmente a passear por Gotham com as opções gráficas todas no mínimo, o FSR em modo Qualidade e bloqueando o jogo a 30 FPS para evitar enormes flutuações. É um alvo que a consola alcança com alguma dificuldade em single-player, ainda que os visuais sejam decentes, tendo em conta que tinha todas as definições no mínimo.
O maior problema que tive foi no meu PC, enquanto testava o jogo em modo cooperativo. Quase como se duplicasse o trabalho de renderizar o mundo de forma a deixar ambos os jogadores explorar o mapa mais livremente, a contrapartida está no impacto nos FPS, que é bem notável, causando quebras consideráveis tanto em Gotham como nas secções mais lineares. Cheguei a ter uma ocasião nos momentos iniciais do jogo, numa das ditas secções lineares (ocorrida nos jardins da Mansão Wayne), em que o jogo parecia andar na casa dos 20 frames de forma quase fixa, obrigando-me a baixar as definições para Medium para conseguir passar aquela secção de forma mais fluida. Já na Steam Deck, o impacto não era tão percetível, mas a média de FPS sofria uma ligeira quebra.
Em termos de polimento, o título precisa de algumas atualizações para limar algumas arestas. Linhas de diálogo que eram cortadas ocasionalmente, vários momentos em que o Grappling Hook agia de forma estranha e até um momento em que passei um dos níveis com o efeito de Stun colocado sobre mim de forma permanente, sem motivo para tal, são alguns dos problemas que pude observar.


Imagens capturadas na Steam Deck
Prós:
História divertida e repleta de referências icónicas à cultura pop, respeitando o material base;
Regresso do estilo de combate Arkham em toda a sua glória;
Excelentes visuais, com Gotham a ser um ponto alto;
Imensos colecionáveis para incentivar à exploração;
Continuação da aposta em co-op local.
Contras:
Quebras de performance em modo cooperativo;
Vários bugs em jogabilidade normal;
Nível de dificuldade pode desapontar veteranos da série.
8/10
Veredicto
Legacy of The Dark Knight é a derradeira carta de amor a tudo o que é Batman, desde as BDs originais, aos filmes e a tudo o resto que rodeia este enorme pilar da DC, num sucessor espiritual das aventuras originais do Arkhamverse. Com uma aventura por várias épocas repleta de piadas e referências que respeitam o material original, uma cidade de Gotham realizada de forma exímia e repleta de conteúdo e o regresso do combate ao estilo Arkham, do qual tinha imensa saudades, este título é uma aposta segura para quem procurar ação de qualidade a solo ou em boa companhia, quer para fãs de LEGO, como para fãs do Batman.
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Pedro Gomes
Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.
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