Nioh 3 (análise) | Uma jornada brutal repleta de qualidade
- por Pedro Gomes
- 24 de fevereiro, 2026
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Nove anos após o lançamento do primeiro Nioh, que conquistou crítica e jogadores, e cinco depois da sequela que confirmou o seu estatuto, regressamos a um dos universos mais brutais e desafiantes dos videojogos. Esta colaboração entre a veterana Team Ninja e a bem conhecida Koei Tecmo voltou agora em fevereiro de 2026, tendo, desde o seu lançamento, ajudado a franquia a ultrapassar as 10 milhões de unidades vendas, um belo marco para o RPG.
Com dois estilos de luta por onde escolher com transições em tempo real, diversas épocas nipónicas para descobrir num sistema de mapas abertos para explorar e inúmeros Yokai para demolir, resta saber se esta nova entrada no universo Nioh aperfeiçoa a experiência que os fãs tanto antecipavam, ou se é um passo atrás no género que não justifique o regresso a este mundo.
Versão testada: PS5
Estúdio / editora: Team Ninja / Koei Tecmo
Outras versões: PC, Xbox Series
Onde comprar: Instant-Gaming (PC), Worten (PS5)
Épocas diferentes, diferentes mundos por descobrir
Nioh 3 traz consigo várias épocas distintas, pelas quais o nosso protagonista, Tokugawa Takechiyo, terá de navegar para lutar contra as forças demoníacas numa batalha feroz pelo título de Shogun. Dividindo-se em mapas de grande dimensão,estão carregados de conteúdo que se propagam de forma bastante natural e que, para mim, conseguiram ser algo que vale a pena explorar e não se tornou numa lista de tarefas aborrecidas só para inflacionar o conteúdo existente. Com fortificações inimigas que nos colocam a limpar os Yokai que lá existem, os retornados Scampuss que gostam de nos fazer correr atrás deles por largas extensões de terreno, por vezes matreiro, em troca de loot. Os Kodama perdidos que se encontram pelos mapas fora e são uma boa forma de aumentar a quantidade de elixires de vitalidade e os Chijiko que sobrevoam o terreno, passando muitas vezes despercebidos e só detetáveis graças aos seus chimes que emitem um som facilmente reconhecível.
Existem também missões secundárias, denominadas de Myths, que proporcionam objetivos mais lineares pelo mundo fora e são uma boa maneira de arrecadar Amrita, a “moeda” de troca para melhorar a nossa personagem, além de oferecer boas distrações do objetivo principal. Além disso, temos mini-bosses secundários, que posam um bom desafio em troca de recompensas generosas, e mestres que nos ensinam novas técnicas para dominar em ambos os estilos de luta. É também possível encontrar várias “campas” de jogadores reais pelo jogo fora, que, ao serem interagidas e convocadas, podem originar entidades amigáveis que nos ajudam como um summon controlado artificialmente, ou um rival com quem podemos travar um duelo em troca de recompensas (ou uma casualidade caso não estejamos ao nível).
Imagem capturada por Geekinout.pt
Com outros pontos de interesse, além dos que mencionei, e colecionáveis que valem a pena visitar para facilitar a nossa jornada, a exploração foi algo que fui fazendo de forma bem natural, seja por encontrar bosses obrigatórios que me esmagavam com relativa facilidade ou porque queria estar preparado antes de me aventurar pela história principal. Este é um sistema interligado de forma perfeita com o nível alto de dificuldade oferecido em Nioh 3, que permite ao jogador tornar a sua vida mais fácil, sem se tornar numa tarefa extremamente monótona e chata, como tantas vezes acontece em títulos de mundo aberto mais formulaicos.
No geral, aqui tive quase a sensação que experienciei em Elden Ring, ainda que Nioh ofereça um mundo menos expansivo que o exímio trabalho da FromSoftware, mas, em troca, traz algumas melhorias de acessibilidade em termos de acompanhar o estado de progresso do conteúdo secundário. Infelizmente, o lado negativo deste sistema de mundo aberto com imensa exploração é que a história acaba sempre por ficar em segundo plano, já que entre secções mais focais do enredo principal, passei imensas horas a fazer atividades que me fizeram perder o foco do que estava a acontecer na trama, levando-me a desligar em grande parte do que estava a acontecer.
Um excelente estilo de combate, em dose dupla
Team Ninja é sinónimo de combate soberbo e a sua marca está aqui claramente presente, chocando diretamente com o preconceito de que o género soulslike traz consigo, por norma, um sistema de luta menos bom. Ora Nioh 3 oferece ação de alto nível, combate extremamente satisfatório e óbvias refinações em comparação a tiradas anteriores por parte da equipa. Com dois estilos de luta, Samurai e Ninja, o nosso protagonista oferece duas maneiras bem distintas de controlar o combate.
O Samurai é um tipo muito mais metódico, oferecendo um género de combate mais tradicional com armas como a icónica espada com um bom equilíbrio entre poder e agilidade ou a Odachi com um tamanho portentoso e golpes demolidores em troca de movimentos muito mais lentos e fáceis de interromper. Com a capacidade de bloquear e defletir ataques inimigos, este foi o meu estilo predileto, já que me ofereceu imensa familiaridade devido às horas passadas em Lies of P, oferecendo um kit similar, deixando-me bem à vontade em momentos de aperto com bosses.
Imagem capturada por Geekinout.pt
O Ninja é um estilo frenético, que opta por se focar mais em mobilidade rápida e em confundir o adversário com dodges e dashes constantes. Com garras que te vão fazer sentir como o Wolverine ou um par de machados que vão dar machadadas valentes nos vários Yokai, aqui encontras um estilo menos convencional no género e que não me puxou muito para usar, recorrendo apenas a este quando tinha inimigos que quase forçavam o seu uso para me desviar de ataques que não davam grande janela de bloqueio.
Com golpes satisfatórios, desmembramentos que demonstram a intensidade do combate e um design sonoro que remata a sensação potente do combate, este é um sistema bem acima da média dentro dos soulslikes, deixando quase a zero o nível de frustração que muitos outros ostentam e que é praticamente uma imagem de marca do género.
Não obrigando a dominar ambos os géneros e facilitando a troca entre eles em qualquer ocasião, estes dois estilos, o seu nível de polimento e sua satisfação geral são pontos altos na experiência. Aliado a bosses imponentes e uma boa variedade de inimigos comuns, ainda que haja bastante reciclagem das tiradas anteriores, este é um título que deixará fãs de ação intensa satisfeitos.
Progressão variada e um problema de loot
A progressão do nosso protagonista é feita em vários níveis. O tradicional modo de subir de nível em troca de um material obtido por método de combate, neste caso Amrita, está presente e não ousa inovar a roda, oferecendo diferentes estatísticas onde podemos investir para melhorar o nosso ataque, capacidade máxima de peso, barra de vida e afins. De forma mais natural, podemos apanhar skill points para os dois modos de combate através da exploração, que permitem acrescentar novos ataques e combinações a cada estilo e também a cada arma, de forma individual, além das habilidades ensinadas pelos mestres que tinha mencionado antes.
Também ao explorar as várias regiões do mapa, podemos aumentar a quantidade máximas de elixires que temos à mão e obter muitos outros itens, desde consumíveis a almas de Yokai que podemos dar summon para auxiliar em combate. Por fim, estão também espalhadas imensas skills passivas que podemos encontrar ao vasculhar vilas e outros locais secundários. Em suma, toda a exploração efetuada é uma grande ajuda a fortalecer a nossa personagem e foi motivo mais que suficiente para me meter a completar imensos Myths e a visitar diversos pontos no mapa, ansioso por descobrir maneiras de contornar um pico na dificuldade.
Imagem capturada por Geekinout.pt
Também para nos ajudar na nossa jornada, existe um sistema de equipamento que, para mim, foi uma deceção. Quase tudo o que existe no mundo de Nioh 3 tem drops para dar, o que rapidamente ia enchendo o meu inventário de forma frequente. Não havendo um limite de armaduras ou armas para carregar e sendo até fácil de filtrar e me desenvencilhar de toda a tralha que ia colecionando. No entanto este método de largar loot por todo o lado não deixa de ser chato e parece algo saído de um título da Ubisoft, nos quais não sinto satisfação quase nenhuma por algum pedaço de equipamento potencialmente especial que encontro. Derrotei um boss secundário imponente que me deu uma boa espada? Passado meia hora se calhar até já encontrei algo ligeiramente melhor num chest no meio do caminho principal.
Outros títulos que me fazem suar para completar um objetivo mais complicado e que me dão algo que consigo valorizar e usar durante largas horas são muito mais recompensadores, enquanto que aqui ia periodicamente à minha lista atulhada de armaduras e armas ver se tinha encontrado algo melhor e vendia quase tudo o resto sem grande critério, tal a insatisfação do sistema implementado.
Visuais, otimização e polimento com algumas falhas
Criado no motor proprietário da Team Ninja, o Katana Engine, Nioh 3 oferece um saco bastante misto em termos de visuais e otimização. Para analisar o jogo usei o modelo base da PS5.
Com o modo de qualidade que limita o jogo aos 30 FPS, o modo que utilizei, e que recomendo para este estilo de jogo, é o de performance, duplicando o limite para 60 FPS, mais adequado para acompanhar toda a ação no ecrã. Em termos de otimização, há flutuação bens constantes quando existem mais inimigos/aliados ecrã ou uma combinação grande de efeitos no campo de visão, causando drops de forma constante e quebrando a fluidez em momentos tensos.
Em termos visuais, o mundo aqui apresentado não tem falta de vistas esplendorosas e ambientes bem realizados, mas existem alguns problemas pelo meio. Imensas transições de luz são feitas de forma estranha e pelo meio de texturas de boa qualidade, apanhei algumas de muito baixo nível que quebravam a imersão. Também no combate existem alguns momentos em que o excesso de partículas emitidas pelo inimigo e pela nossa personagem tornaram um pouco difícil acompanhar o que estava a acontecer, dando azo a pancadas recebidas sem dar por ela.
Imagem capturada por Geekinout.pt
Em termos de polimento, o jogo sofre dos tradicionais problemas de jogos de grande escala. Vários inimigos ficavam presos na geometria do mapa enquanto se tentavam aproximar de mim, deparei-me também com um que ficou preso no chão após me ter atacado e nunca mais reagiu até que o eliminei e, além disso, encontrei algumas paredes invisíveis perto dos limites de caminhos da história principal que não faziam sentido. Se parece que estou a dizer que o jogo está num estado técnico lastimoso, não é de todo esse o meu intuito, até porque estes foram meros problemas ocasionais que gostaria de ver resolvidos, aparecendo pelo meio de imensas horas sem problemas e que, se corrigidos, tornarão a experiência mais completa.
Pelo lado positivo, a níveis de crashes ou outros bugs críticos, o jogo correspondeu às espectativas e não tive quaisquer problemas. No geral o estado do jogo é bom, mas existem pontos que carecem de alguma atenção e correções no futuro para polir devidamente, problemas esses que, infelizmente, parecem inerentes a jogos desta escala.
Prós:
Combate de excelência que sobressai dentro do género;
Mundo aberto feito como deve ser, sem oferecer palha para inflacionar as horas de jogo;
Progressão e exploração intrinsecamente ligadas que levam à descoberta natural do que nos rodeia;
Conteúdo secundário que raramente me desapontou.
Contras:
Sistema de loot desinspirado;
Estado técnico a precisar de algum polimento.
Veredicto
Nioh 3 é o culminar de vários anos de experiência da Team Ninja, oferecendo um mundo com um sistema de exploração natural e um combate extremamente satisfatório com dois estilos de combate distintos que se complementam e agradarão a quem prefere um combate mais metódico ou mais frenético. Ainda assim, o estado técnico precisa de algum trabalho extra, deixando um pouco a desejar, e o sistema de loot é profundamente insatisfatório na minha opinião, optando por quantidade em vez de qualidade. Ainda assim, no seu geral, esta é uma experiência muito boa e que deixará fãs do género bem satisfeitos e entretidos durante várias horas.
Pedro Gomes
Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.
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