Lei que proibe redes sociais a menores de 16 anos vai hoje a votos e pode afetar videojogos
- por Jorge Loureiro
- 12 de fevereiro, 2026
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O Projeto de Lei nº 398/XVII/1ª, apresentado pelo PSD, vai hoje a votação na Assembleia da República e propõe uma mudança profunda na forma como menores de 16 anos podem aceder a plataformas digitais em Portugal
Embora o debate público se tenha centrado sobretudo nas redes sociais, o diploma tem implicações diretas para o setor dos videojogos, especialmente para jogos online, free-to-play e plataformas com interação social.
1. Jogos online passam a estar abrangidos
A lei aplica-se explicitamente a:
Plataformas de redes sociais
Jogos em linha
Serviços de partilha de conteúdos
Lojas de aplicações
Serviços com conteúdos potencialmente aditivos
Ou seja: Fortnite, Roblox, EA Sports FC, Call of Duty, jogos mobile free-to-play e até plataformas como Steam ou PlayStation Network poderão estar abrangidos pela nova lei.
2. Menores de 16 anos deixam de poder jogar autonomamente online
Se for aprovada:
A idade mínima para acesso autónomo passa a ser 16 anos
Jovens entre 13 e 15 anos só poderão aceder com consentimento parental verificado
Menores de 13 anos ficam impedidos de aceder
Isto não significa proibição total de videojogos, mas significa que qualquer jogo online com conta própria poderá exigir verificação formal de idade e autorização parental validada, possivelmente através da Chave Móvel Digital
Para muitas editoras internacionais, isto implicaria adaptar sistemas técnicos apenas para o mercado português.
3. Loot boxes podem desaparecer para menores
Um dos pontos mais relevantes para o gaming está na proibição de “design aditivo” para contas de menores de 16 anos, incluindo:
Loot boxes
Sistemas de recompensa digital
Mecânicas de gamificação destinadas a prolongar o uso
Notificações compulsivas
Isto pode ter impacto direto em:
Jogos free-to-play
Gacha games
Títulos com passes de batalha
Sistemas de recompensas aleatórias
Na prática, um jogo poderia ter de desativar certas mecânicas automaticamente para contas de menores portugueses.
4. Fim do infinite scroll e autoplay, até nos jogos
A proposta também proíbe:
Autoplay
Infinite scroll
Funcionalidades pensadas para maximizar tempo de utilização
Embora estas funcionalidades sejam mais associadas a redes sociais, vários jogos online e aplicações mobile utilizam sistemas semelhantes de retenção.
A fronteira entre “rede social” e “plataforma de jogo” é cada vez mais ténue, especialmente em jogos com hubs sociais, criação de conteúdo e interação massiva.
5. Multas pesadas para incumprimento
As coimas podem chegar a:
2% do volume de negócios anual mundial
Até 2 milhões de euros, conforme o caso
6. O que pode acontecer na prática?
Se for aprovada, podem surgir vários cenários:
Editoras bloqueiam contas de menores portugueses até implementarem verificação
Implementação obrigatória de sistemas de prova de idade
Contas de menores passam automaticamente a privadas
Algumas funcionalidades ficam indisponíveis em território nacional
Também é possível que algumas empresas optem por limitar funcionalidades em vez de implementar sistemas técnicos complexos.
O diploma justifica-se com base em estudos internacionais que apontam para aumento de uso problemático das redes sociais e risco de dependência digital em adolescentes. No entanto, no setor dos videojogos, a discussão provavelmente será mais complexa.
Hoje a proposta vai a votos. Se avançar, Portugal junta-se a outros países como Espanha, França e Austrália, que também criaram leis para impedir os menores de aceder às redes sociais.
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Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.
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