Tomodachi Life: Living the Dream (análise) | Um vício inesperado
- por Jorge Loureiro
- 7 de maio, 2026
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Achei que Tomodachi Life: Living The Dream não era um jogo para mim. Confesso que nunca joguei o primeiro, nem nunca esteve no meu radar, pois habitualmente prefiro jogos de ação com movimento e jogabilidade frenética, como, por exemplo, Saros, ou hack and slashes tipo Bayonetta e Devil May Cry.
Mas, às vezes, nem nós próprios nos conhecemos a 100%. A verdade é que acabei por dar por mim completamente compenetrado na experiência deste “simulador de vida”, em que controlamos o quotidiano e as relações dos habitantes de uma pequena ilha.
Versão testada: Nintendo Switch
Género: Casual / Simulador
Preço: €59.99
Criar um mundo à nossa medida
Tudo começa com o primeiro Mii (aquelas personagens miniatura) da ilha, que podes editar em vários aspetos: estilo de cabelo, cor da pele, olhos, sobrancelhas, altura, formato da boca e nariz, barba e, se quiseres ir mais longe, até pinturas faciais. Não é o editor mais completo de sempre, mas consegues recriar de forma minimamente decente qualquer pessoa que conheças ou até famosos, desde cantores, atores, políticos, etc.
Eu até fui mais longe e comecei a criar personagens de Dragon Ball, como o Frieza, o Vegeta e a Bulma, além de me ter criado a mim, à minha família e a amigos. Também podes definir logo à partida o parentesco dos Miis: quem namora com quem, quem é filho ou pai de quem, irmãos, avós e por aí fora. Podes também definir géneros (masculino, feminino, não-binário) e qual a preferência de parceiro: homens, mulheres ou ambos.
Depois, resta definir atributos de personalidade numa escala de 0 a 8 — do tipo se é lento ou rápido, educado ou direto, chato ou intenso, sério ou relaxado, normal ou peculiar. Conforme o que escolherem, vai ser atribuída uma de 16 personalidades ao Mii, o que depois também vai influenciar como se dá com os outros, com quem vai fazer amizade, por quem se vai apaixonar e que tipo de coisas gosta. Este último ponto é importante porque tu, enquanto “deus” daquela ilha, podes dar presentes aos Miis, como comida, roupas, novas decorações para as suas casas e outros objetos.

Imagem capturada por Geekinout.pt
Sem filtros: onde a diversão acontece
Os presentes são a forma de os Miis subirem de nível, com um limite de nível 20. Por cada nível, podes personalizá-los ainda mais, atribuindo-lhes novas características como certas expressões — que podes introduzir manualmente, até expressões portuguesas tipo Fod-se* ou Caralh —, entre outras coisas.
É aqui que o jogo ganha uma grande profundidade e também diversão; ri-me muito com frases estúpidas que decidi atribuir a algumas personagens. É importante sublinhar que o jogo não impõe limites nas expressões que o jogador introduz. Pensei que haveria um filtro para certas palavras… mas não! Podes colocar as coisas mais malucas que te vierem à cabeça e, no geral, o sistema automático do jogo para soletrar as frases introduzidas é relativamente eficaz, funcionando melhor em inglês do que em português.

Imagem capturada por Geekinout.pt
O caos das frases aleatórias
Posteriormente, o jogo vai permitir-te introduzir ainda mais frases e temas. Quando um Mii quer pedir a outro que seja seu amigo, faz-te sempre a mesma pergunta: "do que é que vamos falar?". Aqui podes selecionar temas existentes (que já introduziste) ou meter coisas novas. Mais adiante, o jogo vai começar a misturar tudo o que escreveste em frases aleatórias que os Miis dizem uns aos outros. Por vezes, os resultados são hilariantes; por outros, simplesmente estranhos.
A diversão do jogo reside precisamente aqui: no imprevisível. Apesar de controlares todas as personagens da ilha — podendo até pegar nelas para as movimentares ou forçá-las a encontrar-se com outros Miis — a verdadeira piada está em observar como as coisas se desenvolvem sozinhas. Os Miis podem casar-se, viver juntos (sem serem necessariamente namorados) e até ter filhos. O primeiro bebé da minha ilha, por exemplo, foi fruto da relação entre o Frieza e a Evil Hannah. É esta uma das coisas mais engraçadas do jogo: ver um vilão apaixonar-se por alguém que também tem “Evil” no nome, uma coincidência curiosa.

Imagem capturada por Geekinout.pt
O jogo perfeito para sessões curtas
Tomodachi Life: Living The Dream tornou-se num vício imprevisível para mim, mas não é um jogo recomendável para jogar várias horas seguidas. O seu formato é ideal para sessões curtas, de 15 a 30 minutos: pegas na consola, atendes às necessidades dos Miis — que podem ter fome, querer jogar algum mini-jogo contigo ou perguntar-te se devem fazer amizade com alguém — e voltas a colocar a Switch em standby.
No meu caso, joguei sobretudo de manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço; depois voltava a pegar ao final da tarde, ao chegar a casa, e mais um pouco antes de ir para a cama. Em termos de conteúdo, o jogo não prima pela variedade e pode até tornar-se monótono, mas o curioso é que, todos os dias, sentia o impulso de pegar na consola apenas para ver o que estava a acontecer na ilha.
Apesar de ter adorado a experiência, sinto que o jogo sofre de alguma falta de variedade a longo prazo, principalmente no que toca às atividades disponíveis e também à diversidade dos elementos decorativos da ilha. Esta limitação acaba por reforçar a ideia de que o jogo brilha mais quando consumido em doses moderadas do que em maratonas prolongadas.
8/10
Veredicto
Tomodachi Life: Living The Dream é um jogo fácil de recomendar a qualquer tipo de jogador. É o chamado "cozy-game": acessível, sem exigir grande habilidade ou disponibilidade mental, e de consumo rápido. Apesar da sua simplicidade, entrega momentos genuinamente divertidos e é o companheiro ideal para passar o tempo naquelas pequenas pausas do dia a dia.
Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.



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