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Saros (Análise) | A perfeição do género roguelike

Saros Review
Crédito da imagem: Housemarque

Em abril de 2021, a Housemarque lançou o seu jogo mais ambicioso até à data: Returnal. Considero-o uma das pérolas da PS5, um roguelike com ADN de bullet hell herdado de anteriores jogos do estúdio como Resogun. Agora, cinco anos depois, chega-nos Saros, uma sequela espiritual que não só honra esse legado, como o expande em todas as direções.

Saros é para Returnal o que Elden Ring foi para Dark Souls. Aproveita os pilares fundamentais de gameplay e transplanta-os para um novo ambiente e narrativa, aperfeiçoando a fórmula para entregar aquela que é, sem dúvida, a melhor experiência que já tive num roguelike (sim, joguei Hades). Mesmo agora, acumulando quase 20 horas e tendo desbloqueado o final, apetece-me continuar a jogar e sacar a platina (isto é mesmo raro para mim).


  • Versão testada: PS5

  • Tempo para terminar: 18 horas

  • Estúdio: Housemarque

  • Preço: 79,99 euros


Saros vs Returnal: o que mudou?

Nota-se que a Housemarque esteve atenta ao feedback que recebeu em Returnal. Returnal podia ser punitivo e excessivamente longo, mas foram feitas alterações para corrigir isso . As runs intermináveis de duas horas deram lugar a ciclos frenéticos de 20 a 30 minutos, ideal para quem procura uma dose rápida de adrenalina.

A dificuldade também foi democratizada sem perder a essência. Não existem modos de dificuldade, mas através de modificadores de desafio, o jogador tem agora o poder de moldar a experiência: podes facilitar a jornada com ajudas no dano ou, pelo contrário, 'subir a parada' para obter melhores recompensas.

Tudo isto é sustentado por uma árvore de progressão viciante. Ao contrário do seu antecessor, em Saros sentimos que cada derrota conta, permitindo desbloquear upgrades permanentes – desde saúde extra a segundas oportunidades – que tornam a curva de aprendizagem tão gratificante quanto desafiante.

Bem-vindo a Carcosa

Carcosa é o planeta que vamos explorar em Saros, vestindo a pele de Arjun Devaraj. Contrariamente a Selene, Arjun não está sozinho e tem uma tripulação completa que o acompanha e com quem vamos trocando diálogos.

A introdução da história e a ambientação transportaram-me imediatamente para o universo de Alien. Como parte do grupo de exploradores 'Echelon IV', somos enviados para este confim do universo com a missão de extrair um recurso valioso para a Soltari.

Sem entrar em terrenos de spoilers, basta dizer que esta corporação partilha o mesmo ADN de frieza e falta de escrúpulos da icónica Weyland-Yutani: o lucro está sempre acima da sobrevivência da tripulação.

Como funcionam os Eclipses Solares?

Carcosa apresenta-se como um mundo desolado, onde o único sinal de vida são as criaturas grotescas que vão surgindo de área em área. No entanto, o que distingue realmente este planeta é uma mecânica integrada na jogabilidade: os eclipses solares.

Este fenómeno não é apenas visual; os inimigos ficam mais agressivos e letais. Mas por outro lado, as recompensas também são mais aliciantes… e podem fazer a diferença no confronto com o boss que está sempre à tua espera no final de cada bioma.

Há partes em que o jogador é mesmo obrigado a ativar o eclipse para aceder a uma certa área e progredir (geralmente, há que desbloquear a porta do boss e um dos caminhos para isso requer a ativação do eclipse). Noutros momentos, ativar o eclipse fica à escolha do jogador.

Os eclipses são mais uma escolha de risco vs recompensa neste novo jogo da Housemarque, tal como os modificadores de dificuldade. Mas há sempre claro um fator de sorte envolvido. Receber as armas com perks certos pode fazer uma enorme diferença em cada partida.

É por isso que existe uma oportunidade de fazer reroll às armas que recebes e upgrades das habilidades. No entanto, isto também é um risco, visto que o reroll pode ser pior do que a arma que tens e as oportunidades são bastante limitadas.

Jogabilidade rápida; soluça e morres!

Novamente, este jogo herdou muito de Returnal, incluindo a jogabilidade frenética, inimigos com grande capacidade de movimentação e projéteis que são enviados contra ti de todas as direções imagináveis.

Foi desenhado para estares constantemente em movimento – a saltar e a fazer dash – e, em cima disto tudo, tens de fazer o reload à tua arma no timing correto (outra herança de Returnal). Mas este jogo consegue ser ainda mais rápido e frenético do que o seu antecessor.

E se achaste o Returnal difícil… então prepara-te.

Mas a Housemarque também implementou novas habilidades, incluindo um escudo de energia que consegue bloquear alguns dos projéteis e que até pode ser usado para fazer parry.

Saros gameplay
Crédito da imagem: PlayStation

Mais tarde, também vais desbloquear uma habilidade ativada no R3 e L3, que dá origem a uma explosão gigante e causa uma grande quantidade de dano aos inimigos e bosses.

Apesar da dificuldade, nunca senti que o jogo fosse injusto. A jogabilidade responde às mil maravilhas, é extremamente fluida e responsiva, e nunca senti que tivesse sido derrotado por defeitos do jogo.

A jogabilidade é também altamente satisfatória, não só pela forma como os controlos respondem, mas pela maneira como as armas transmitem individualidade e satisfação em cada disparo. Aqui, a Housemarque usou novamente a magia do DualSense, recorrendo aos gatilhos adaptativos: cada arma tem dois modos de disparo, sendo que o secundário é ativado ao carregar no gatilho L2 até meio. Pode parecer um esquema de controlos estranho, mas rapidamente se entranha.

Gráficos e desempenho

Com receio de parecer um disco riscado, vou dizer novamente: é mais um upgrade comparativamente a Returnal.

O jogo consegue manter os 60 FPS praticamente bloqueados na PS5 – foram raros os momentos em que senti quebras – e entregar uma qualidade gráfica digna desta geração. Bons detalhes, texturas, modelos de personagens e inimigos e, seguindo o estilo da Housemarque, imensos e gratificantes efeitos de explosões, raios e outras luzes.

Mas não são apenas os gráficos que importam, é a direção estética. Apesar de ser um jogo de ficção científica, Saros parece um planeta credível. Ao passear pelos cenários (quando não estamos a ser atacados por dezenas de inimigos), há qualquer coisa de palpável ali.

Shield in PS5 game Saros
Crédito da imagem: PlayStation

Saros tem história?

Sim, e neste caso a história é um bocado mais óbvia e omnipresente do que em Returnal.

Como referi anteriormente, Arjun tem companheiros, com os quais podemos falar quando volta depois de um ciclo. Existem também imensos documentos de texto e ficheiros de áudio que vão contando, lentamente, o que está acontecer (e aconteceu) em Carcosa).

A história vale a pena, mas presta atenção a todos os pormenores. E mais não digo para não entrar em território de spoilers

Um jogo excecional que define padrões para a indústria. Combina jogabilidade, narrativa, direção artística e design técnico de forma quase perfeita, oferecendo uma experiência memorável e intemporal.
Pontuação da review: 10/10

10/10

Veredicto

Saros não é apenas uma evolução de Returnal; é o culminar de décadas de mestria da Housemarque. Um jogo obrigatório que mostra o verdadeiro potencial máximo da PS5. O estúdio não se limitou a descansar sobre o sucesso de Returnal. É um jogo que consegue ser mais rápido, mais bonito e, acima de tudo, mais inteligente na forma como respeita o tempo do jogador. Ao equilibrar uma dificuldade desafiante com uma progressão permanente viciante e mecânicas de risco como os Eclipses, o estúdio entregou aquela que é, para mim, a experiência definitiva no género roguelike.

Autor

Jorge Loureiro
Fundador da GeekinOut

O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.