A Xbox precisa desesperadamente de mais exclusivos, caso contrário ninguém vai comprar a sua consola na próxima geração
- por Jorge Loureiro
- 8 de junho, 2026
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Depois de termos acompanhado todas as novidades, hoje vamos dissecar a Xbox Games Showcase que aconteceu ontem.
Eu acho que foi uma excelente apresentação. Houve muitos jogos e uma boa variedade, e acho que a Xbox conseguiu escapar àquele estereótipo que tinha alguns anos atrás de que é apenas uma consola para jogos de tiros.
Tivemos Gears of War: E-Day, Halo: Campaign Evolved e também Call of Duty: Modern Warfare 4, que são jogos de tiros, mas também houve jogos de outros géneros que parecem altamente promissores, como Persona 6, Vivarium (que com aquele aspeto de desenho animado cativou-me imediatamente), Senua (o terceiro jogo da saga Hellblade e que para mim é o jogo anunciado ontem que eu mais aguardo).
Ttambém houve Fable, que para quem não sabe, está a ser feito pelo estúdio de Forza Horizon. Eu ainda não estou assim tão convencido que vai ser um jogo sólido, mas a ver vamos. Valor Mortis também parece um jogo interessante, e ainda um novo Spyro que vai chegar na primavera de 2027. Ou seja, em termos de jogos houve mesmo muita coisa, houve muita variedade, foi uma conferência sólida.
Mas, para mim, teve um problema acentuado, que é a falta de jogos exclusivos para a Xbox.
De todos os jogos anunciados e mostrados ontem, há apenas dois que vão ser exclusivos Xbox na consola: um deles é Gears of War: E-Day, sendo que a versão PS5 foi descartada, e o outro é Clockwork Revolution, que também vai ser um exclusivo Xbox nas consolas.
No início da conferência, a nova CEO da Xbox, que entrou para o cargo em fevereiro, deu a entender que os exclusivos estavam de volta, mas na verdade apenas dois dos jogos mostrados, vão ser verdadeiramente exclusivos da Xbox no território das consolas. E eu honestamente percebo que é difícil mudar a estratégia de uma marca de um dia para o outro, porque até agora a estratégia da Xbox era lançar todos os seus jogos em todas as plataformas possíveis, incluindo a PlayStation 5. E, portanto, enquanto todo o dinheiro que já foi investido em criar versões PS5 é um desperdício não lançar essas versões e não capitalizar nas vendas.
Mas, em simultâneo, a Xbox continua a dar tiros nos pés porque nós sabemos que o que vende consolas são os exclusivos. Aliás, nesta geração as vendas da Xbox Series X | S são péssimas porque a meio da geração deixou de ter exclusivos. Jogos como o Starfield, que supostamente seriam system sellers, acabaram por chegar à PlayStation 5. Forza Horizon 5, que também era outro grande trunfo da Xbox, também chegou à PlayStation 5, e Forza Horizon 6 também vai chegar à PlayStation 5 ainda este ano.
O dilema do ecossistema e do Game Pass
Portanto, apesar da boa conferência de ontem, eu ainda não estou seguro do futuro da Xbox.
Por mais que a CEO Asha Sharma ache e diga que os exclusivos estão de volta, o que eles mostraram ontem não foi bem isso. E a não ser que a Xbox volte, de facto, a apostar nos exclusivos Xbox — ou seja, jogos que apenas vão sair na consola Xbox; obviamente que os jogos também vão ter versão PC porque a Microsoft controla o Windows —, são precisos mais argumentos para vender consolas Xbox. e se eles não voltam a ter exclusivos o mais rapidamente possível, eu pergunto: quem é que vai comprar a Project Helix, que é a consola de próxima geração da Xbox?
Porque a verdade é que o modelo dos exclusivos continua a funcionar, tanto para a PlayStation como para a Nintendo. Aliás, a PlayStation apostou temporariamente em lançar os seus exclusivos para PC, mas agora já voltou atrás porque tem medo que isso prejudique as vendas das consolas PS5. E a verdade é que isto faz sentido: por que razão é que eu, enquanto consumidor, vou comprar uma plataforma se eu posso jogar os jogos daquela plataforma noutra plataforma universal que junta todos esses jogos?
Ao longo desta geração, a Microsoft facilitou a vida aos jogadores. Basicamente, com a PlayStation 5 tu podias jogar não só os exclusivos da PlayStation, mas também os exclusivos da Xbox. Eu não sei se talvez a estratégia da Microsoft fosse ter um cavalo de Troia, ou seja, colocar os jogos da Xbox na PlayStation 5 para eles verem que os jogos da Xbox são bons e, esperançosamente, convencê-los a comprar uma consola Xbox, mas essa estratégia não parece ter resultado.
Eu sei que também a estratégia da Microsoft era apostar tudo no Game Pass. Aliás, a previsão deles é que eles iam conseguir 200 milhões de subscritores até 2030, meta essa que está muito distante. E, portanto, este modelo da Xbox de colocar tudo no Game Pass também não está a dar frutos. Dito isto, e atenção, não me interpretem mal: o Game Pass continua a ser um dos melhores negócios de sempre para nós, os jogadores, e recentemente, graças à Asha Sharma, até baixou de preço e ficou mais acessível, depois de sucessivos aumentos na era do Phil Spencer.
A constante mudança de estratégia
Onde eu acho que a Xbox falha e continua a falhar é na estratégia.
O problema número um para a Xbox tem sido manter uma estratégia consistente a longo prazo. Vamos analisar o que eles fizeram ao longo desta geração. Primeiro, lançaram a Xbox Series X, que ia ser a consola que comia monstros ao pequeno-almoço, e durante algum tempo continuaram com a estratégia. Depois, o foco virou-se todo para o Game Pass. Isto foi quando a Microsoft começou a engolir editoras inteiras: começou com a Bethesda, o que eu acho que foi uma boa jogada, e depois virou-se para a Activision Blizzard, o que eu acho que não foi uma boa jogada.
Gastaram $69 mil milhões.
É certo que ganharam um catálogo incrível de propriedades e também um negócio rentável graças a Call of Duty e Candy Crush, e aos jogos da Blizzard como World of Warcraft e Diablo. Mas com estes $69 mil milhões eles podiam ter financiado uma quantidade absurda de jogos novos. E, além disso, a consequência de eles terem comprado a Activision Blizzard foi depois fecharem estúdios mais pequenos que tinham comprado há pouco tempo, como por exemplo a Tango Gameworks, que fez o aclamado Hi-Fi Rush.
E com a aquisição da Activision Blizzard, a Xbox decidiu então ser uma editora third-party e começar a lançar todos os seus jogos para a PlayStation 5. E agora, a meio de 2026, eis que sugerem uma estratégia diferente: afinal os exclusivos estão de volta. Ou seja, a estratégia da Xbox está sempre a mudar. Isto para o consumidor não vem transmitir confiança nenhuma, porque afinal o que é que é a Xbox? Acho que nem a própria Xbox sabe responder a essa questão. Se eles querem ter alguma hipótese de vender consolas da próxima geração, então eles precisam de comunicar rapidamente afinal o que é o plano para o futuro e, mais importante, manter essa estratégia a longo prazo.
A Xbox continua a ter potencial, mas é preciso mais
Então, para concluir e para resumir tudo aquilo que eu acabei de dizer: a conferência de ontem foi boa, eles mostraram jogos promissores, têm um grande catálogo, o Xbox Game Pass continua fortíssimo e a ser um bom negócio para os consumidores, mas ainda não apresentaram argumentos suficientes para comprar uma Xbox. A identidade da marca continua incerta e, apesar da nova CEO Asha Sharma ter feito algumas coisas interessantes e algumas decisões positivas, é preciso mais, muito mais.
No fundo, o que é que é a Xbox e qual é a sua estratégia? Deixem a vossa opinião nos comentários abaixo e digam-me se concordam comigo.
Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.
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