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Resident Evil Requiem (análise) | Bom jogo que joga demasiado pelo seguro

Resident Evil Requiem analise
Crédito da imagem: Capcom

Agora que terminei Resident Evil Requiem posso dizer isto com alguma segurança: o jogo é ligeiramente overrated.

Sei que estou a remar contra a maré – as análises dos utilizadores no Metacritic pintam-no quase como um título perfeito – mas vivemos numa época de polarização. Para muita gente, os jogos são excelentes ou terríveis, sem grande espaço para o meio-termo ou para reconhecer que um jogo bom não tem necessariamente de ser imediatamente um 9 ou um 10.

A verdade é que Resident Evil Requiem é um bom jogo, mas não acho que esteja entre os melhores da série.

Em prol da transparência, convém dizer que os títulos que joguei foram Resident Evil 2, Resident Evil 2 Remake, Resident Evil 4, Resident Evil 5, Resident Evil 6, Resident Evil Revelations e Resident Evil 7. Também joguei um pouco de Resident Evil Code: Veronica quando recebeu uma versão HD na PS3, mas nunca o terminei. A jogabilidade clássica da série não envelheceu particularmente bem.

Requiem vai buscar elementos a vários capítulos da série e tenta criar uma espécie de “best of” da franquia. Há ecos dos primeiros Resident Evil, a ação de Resident Evil 4 e até o terror mais claustrofóbico de Resident Evil 7.


  • Versão testada (PS5)

  • Outras versões: PC, Xbox Series, Switch 2

  • Género: Ação, Survival Horror

  • Tempo para terminar: 8h39m (dificuldade padrão moderno)

  • Onde comprar: Instant-Gaming (PC) | Worten (PS5)


Primeira ou terceira pessoa?

Para tentar agradar a gregos e troianos, a Capcom oferece a possibilidade de jogar tanto na primeira como na terceira pessoa. Ainda assim, o próprio jogo sugere que, quando controlamos Grace, a experiência seja feita na primeira pessoa para reforçar a sensação de terror.

Na primeira playthrough segui essa recomendação e joguei as secções de Grace na primeira pessoa. Agora, já numa segunda volta, optei pela terceira pessoa para perceber melhor as diferenças.

Pessoalmente, acho que o efeito de terror acaba por ser bastante semelhante em qualquer uma das perspetivas, pelo que isto acaba por ser mais uma questão de preferência pessoal.

Para mim, Resident Evil sempre foi uma série associada à terceira pessoa, mas isso não significa que tenha ficado incomodado com a mudança em Resident Evil 7 ou Resident Evil Village. Gosto quando a série tenta experimentar coisas diferentes e não vejo problema nessas mudanças.

Por isso mesmo, Resident Evil Requiem acaba por jogar um pouco demasiado pelo seguro. Não há nada de particularmente novo neste jogo, pelo menos no que diz respeito à sensação que transmite enquanto o jogamos.

Grace e o survival horror

A parte de Grace é claramente focada no survival horror. Tens menos recursos de ataque disponíveis, com munição escassa e lâminas que se partem facilmente.

Se tentares eliminar todos os zombies, rapidamente ficas sem recursos — pelo menos na primeira partida, já que numa segunda volta é possível desbloquear melhorias, como uma lâmina que nunca se parte.

Algo que me irritou particularmente, embora ao mesmo tempo compreenda que seja uma decisão pensada para intensificar o terror, é a lentidão de Grace a correr. Tendo em conta que é jovem e saudável, custa-me encontrar uma justificação convincente para essa falta de velocidade.

Outra questão é a eficácia das armas. Percebo que Leon seja pensado como o “guerreiro” do jogo, com muito mais experiência de combate, mas uma bala continua a ser uma bala. Porque razão as balas de Grace parecem causar menos dano aos zombies, obrigando a gastar mais munição para derrotar um inimigo básico?

Novamente, percebo que estas sejam decisões de design para orientar a experiência numa determinada direção, mas não consigo deixar de sentir alguma inconsistência.

Qualidade gráfica e técnica impressionam

No que toca a falhas, fico-me praticamente por aqui, já que o resto do jogo entrega uma experiência à altura do que a Capcom nos habituou em entregas anteriores.

O RE Engine continua a impressionar, com gráficos de alta qualidade, modelos de personagens realistas e iluminação avançada — algo particularmente importante num jogo deste género, onde o jogo de luz, sombras e escuridão é fundamental. Os efeitos de gore também estão impressionantes... e sim, continua a dar um certo prazer ver a cabeça de um zombie explodir com um tiro bem colocado.

A própria atmosfera é intensa, sobretudo nas secções com Grace. Mas isso não acontece apenas por a personagem ser mais vulnerável. Estas partes remetem bastante para os primeiros Resident Evil, com corredores apertados e pouco espaço para fugir.

Ainda assim, há alguns elementos novos. Os monstros únicos que perseguem Grace, como The Chunk e The Girl, são genuinamente assustadores e criam momentos de grande tensão sempre que aparecem. É nestas situações que Resident Evil Requiem está na sua melhor forma.

Leon e o lado mais de ação

Depois há as secções com Leon, que são muito mais focadas na ação. Aqui diria que a experiência mistura elementos de Resident Evil 4 e Resident Evil 5.

Leon tem uma grande variedade de armas à sua disposição e nunca senti falta de munição, ao contrário do que acontece com Grace. Ainda assim, estas partes também incluem, ocasionalmente, momentos mais focados no terror, sobretudo em ambientes escuros e claustrofóbicos.

Por outro lado, existem algumas situações mais estranhas, como zombies capazes de disparar rockets e outras armas pesadas, momentos que acabam por soar um pouco fora de tom dentro da experiência.

Tempo para acabar e valor de repitação

Terminei Resident Evil Requiem em menos de nove horas. Não diria que é um jogo curto — para mim tem a duração ideal — e existem vários incentivos para repetir a campanha, aumentando assim as horas de entretenimento que podes extrair da experiência.


Prós

  • Atmosfera intensa, sobretudo nas secções com Grace

  • Excelente qualidade gráfica graças ao RE Engine

  • Alternância interessante entre survival horror e ação

  • Muito fan service para fãs da série

Contras

  • Pouca inovação na fórmula

  • Algumas inconsistências de design


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Um jogo muito bom, que cumpre as expectativas, com grande qualidade técnica e artística. No entanto, pode ter pequenas falhas no design, ritmo ou equilíbrio, ou a ausência de inovação. É uma experiência sólida, recomendada a fãs do género.

Veredicto

Resident Evil Requiem é uma boa entrada na série, oferecendo um cocktail equilibrado das várias facetas que Resident Evil foi ganhando ao longo dos anos. Há também imenso fan service ao longo da campanha, com momentos que não só expandem a narrativa como evocam nostalgia para os fãs de longa data. Em última instância, o jogo mostra que a fórmula da série continua a funcionar, mas também deixa claro que talvez esteja na altura da Capcom voltar a reinventar Resident Evil mais uma vez.

Autor

Jorge Loureiro
Fundador da GeekinOut

O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.