A Grande Eleanor (crítica) | Grande estreia de Scarlett Johansson como realizadora
- por Jorge Loureiro
- 14 de janeiro, 2026
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A Grande Eleanor (Eleanor The Great) assinala a estreia de Scarlett Johansson na cadeira de realizadora. Conhecida do grande público sobretudo pelo papel de Black Widow no Universo Cinemático da Marvel, Johansson demonstra aqui compreender os ingredientes essenciais para contar uma boa história: humanidade, empatia e emoção genuína.
Estreado mundialmente no Festival de Cannes em maio de 2025, o filme chega esta semana, a 15 de janeiro, às salas de cinema portuguesas. Tivemos oportunidade de o ver antecipadamente graças a um convite da distribuidora Pris Audiovisuais para a antestreia. O trailer já me tinha despertado alguma curiosidade, mas confesso que não estava à espera de sair da sala tão rendido.
Data de estreia: 15 de janeiro 2026
Realizadora: Scarlett Johansson
Duração: 1h38m
Género: Drama
A Grande Eleanor é daqueles filmes que, de forma simples e honesta, nos lembram porque é que ainda vale a pena ir ao cinema. A história cruza temas sensíveis, como a memória dos sobreviventes do Holocausto, com questões universais de amizade, família, luto e perda. O início do filme mostra como Eleanor (June Squibb) é unha e carne com a sua amiga Bessie (Rita Zohar). Vivem juntas há 11 anos, desde que os maridos das duas faleceram, em Miami. Quando Bessie morre, Elanor regressa a Nova Iorque, onde cresceu, para viver juntamente com a sua filha e neto.
Ver a perspetiva de Eleanor sobre a vida é simultaneamente interessante e fascinante, sobretudo do ponto de vista de alguém mais novo como eu. Dei por mim a refletir, ao longo do filme, sobre a forma como o cinema tende a retratar personagens mais velhas: quase sempre remetidas para papéis secundários, muitas vezes vistas como figuras chatas, teimosas ou excessivamente moralistas.
Embora Eleanor tenha também esses traços, o filme deixa claro que ela é muito mais do que isso. June Squibb entrega uma performance excecional, dando vida a uma personagem que conquista o espectador pela sua honestidade brutal, frontalidade e uma audácia inesperada. Apesar de alguma previsibilidade na direção que a história toma.
June Squibb é, sem grande discussão, a grande estrela do filme e acaba mesmo por roubar o espetáculo. Ainda assim, A Grande Eleanor não funcionaria tão bem sem Erin Kellyman, que entrega um desempenho igualmente marcante no papel de Nina, a improvável jovem amiga que Eleanor conhece após se mudar para Nova Iorque.
Para uma estreia na realização, Scarlett Johansson demonstra uma notável ausência de receios ao abordar temas complexos. O filme constrói uma ponte poderosa entre gerações, mostrando que, na amizade, a idade realmente não deveria importar, mesmo quando existe uma tendência quase automática para nos rodearmos apenas de pessoas da nossa faixa etária.
Veredicto
A Grande Eleanor é um filme profundamente encantador. Equilibra com naturalidade momentos genuinamente divertidos, capazes de arrancar risos, com sequências mais contemplativas, que nos convidam a refletir sobre a vida; e, sobretudo, sobre aquilo que realmente importa quando chegamos à velhice.
Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.
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