Anime torna os homens menos atrativos para as mulheres?
- por Jorge Loureiro
- 28 de agosto, 2025
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Um estudo publicado originalmente pelo site DatePsychology em agosto de 2024 tem dado que falar na internet, especialmente em comunidades ligadas a otakus, anime e de videojogos. Apesar do estudo fazer agora um ano, ganhou tração ao ser reaproveitado por páginas ligadas a este tipo de conteúdo, gerando controvérsia e imensas interações (a fórmula perfeita para redes sociais).
O foco do estudo são os hobbies masculinos considerados mais atrativos e menos atrativos para as mulheres. Tendo em conta que assistir a anime é um hobby cada vez mais popular entre adultos e jovens adultos, as manchetes ligadas a este estudo podem preocupar os homens que estão a tentar encontrar uma parceira.
A pesquisa, baseada numa amostra de 814 participantes (48% mulheres), pediu às respondentes que classificassem 74 hobbies como “atrativos” ou “não atrativos” quando praticados por homens. Já os homens foram questionados sobre o que pensavam que as mulheres considerariam atrativo. O resultado? Há coincidências, mas também alguns choques culturais que têm alimentado discussões online.
Os hobbies masculinos mais atrativos para as mulheres
De acordo com os dados, as mulheres tendem a valorizar hobbies que demonstram criatividade, inteligência e competências práticas ou sociais.
Top 10 hobbies mais atrativos:
Leitura – 98,2%
Aprender línguas estrangeiras – 95,6%
Tocar instrumentos musicais – 95,4%
Cozinhar – 95,1%
Carpintaria / trabalhos manuais – 94,4%
Pintura – 94,1%
Escrita – 93,8%
Jardinagem – 93,8%
Natação – 92,8%
Fotografia – 90,5%
O próprio estudo brinca com a conclusão: “Basicamente, as mulheres querem um ferreiro bilingue que lê, viaja, toca música e ainda faz jardinagem”. Não parece de todo um objetivo realista.
Imagem via DatePsychology
Os hobbies menos atrativos para as mulheres
Por outro lado, os passatempos considerados menos interessantes estão associados a vícios, comportamentos antisociais ou nichos demasiado fechados.
Top 10 hobbies menos atrativos:
Vídeos da “manosphere” – 96,9%
Colecionar Funkos – 87,7%
Criptomoedas – 76,9%
Anime – 72,6%
Magic: The Gathering (MTG) – 71,5%
Cosplay – 67,9%
Colecionar banda desenhada (comics) – 66,4%
Discutir online – 65%
Videojogos – 61,8%
Wargaming – 60%
Ou seja: anime, videojogos e colecionismo geek aparecem consistentemente como “turn-offs” para a maioria das respondentes, algo que rapidamente incendiou debates nas comunidades online.
Imagem via DatePsychology
O que os homens pensam… e onde se enganam
Curiosamente, os homens até foram relativamente precisos a prever o que as mulheres achariam atrativo. Mas houve duas exceções:
Motos e MMA/boxe. Os homens acham que estas atividades são altamente atrativas, mas as mulheres não as valorizaram da mesma forma.
Por outro lado, hobbies como ler ou cozinhar foram subestimados pelos homens, quando na realidade são dos mais valorizados.
Imagem via DatePsychology
Limitações sérias do estudo
Embora os gráficos tenham corrido mundo e inspirado títulos sensacionalistas como “Anime torna os homens menos atrativos para as mulheres”, convém sublinhar que os dados de DatePsychology estão longe de ser representativos.
No artigo original, os próprios autores admitem que recorreram a uma amostra conveniente de 814 participantes, dos quais apenas 48% eram mulheres. Mas mais grave é o enviesamento demográfico:
Mais de 90% das mulheres eram brancas.
Cerca de 45% tinham mestrado ou mais, ou seja, um nível educacional acima da média.
Grande parte da amostra veio diretamente da bolha do site DatePsychology, incluindo leitoras, subscritoras do Patreon e contactos pessoais do investigador.
Ou seja: em vez de representar “as mulheres no Ocidente” ou “as mulheres em geral”, os resultados refletem na verdade a opinião de cerca de 391 mulheres brancas, maioritariamente instruídas e pertencentes a uma faixa socioeconómica alta.
Isso significa que, quando o estudo diz que 65% das mulheres consideram “nerd hobbies” pouco atrativos, na prática trata-se apenas de 254 mulheres desse universo fechado. Não é de todo comparável com uma estatística global ou sequer nacional.
No fim de contas, talvez a lição seja esta: mais importante do que escolher hobbies para agradar os outros, é ter paixões genuínas e encontrar quem partilhe delas.
Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.
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