Forza Horizon 6 (review) | O Japão que pedimos, na fórmula que já conhecemos
- por Jorge Loureiro
- 14 de maio, 2026
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Confesso que Forza Horizon 6 não é bem o jogo que eu queria que fosse.
Eu sei que, numa análise, devemos sempre separar as nossas expectativas daquilo que o jogo realmente é, considerando também o propósito dos produtores. Mas, neste caso, acredito que muitos fãs vão concordar com o meu sentimento.
Nos últimos meses, assisti a vários documentários sobre a cultura de carros no Japão: os encontros em parques de estacionamento, as corridas ilegais, o drift pela calada da noite, as modificações extravagantes e os carros repletos de neons.
O que mais me desilude é que Forza Horizon 6 carece de alguns desses elementos tão característicos da cultura de carros japonesa.
Versão testada: PC, Xbox Series X
Tempo jogado: 18 horas
Data de lançamento: 15 ou 19 de maio (depende da edição)
Onde comprar? Instant-Gaming por 46.99€
Novo mapa entusiasmante, mas a fórmula mostra desgaste
Para todos os efeitos, este é apenas mais um Forza Horizon num local diferente. Temos agora um mapa inspirado nas regiões e locais mais badalados do Japão — com o centro de Tóquio e o Monte Fuji em destaque — mas o jogo esforça-se pouco para apresentar novidades numa fórmula que já foi desgastada pelos títulos anteriores.
E com isto, não quero dizer que o jogo é mau, porque está realmente longe disso. Levo 18 horas jogadas neste momento e não foram mal passadas. É muito fácil passar várias horas neste jogo se gostas de carros, e porque o mundo está construído de tal forma para te manter sempre a explorar e a participar em novos eventos ou corridas.
É uma fórmula oleada, que se já jogaste algum Forza Horizon anterior, vais-te sentir imediatamente familiarizado. O festival Horizon chegou ao Japão e tu, claro, és um convidado. Este evento funciona por pulseiras de várias cores, e à medida que progrides de cores, desbloqueias novos eventos e atividades que rapidamente preenchem o mapa.
Tens vários tipos de corrida, no asfalto, rally ou cross-county (vários tipos de terreno), e também novas corridas de drift onde o objetivo não é ficar em primeiro, mas sim acumular mais pontos a deslizar e a queimar pneu. Estas novas corridas não são muito diferentes das zonas de drift, que continuam a existir aqui, e também existiam em jogos anteriores.
Há também muitos carros para desbloquear. Uma novidade são os carros aftermarket, que aparecem espalhados pelo mundo e que podes comprá-los ao aproximar-te deles (basicamente, como se estivesses a comprar carros em segunda-mão). Estes carros podem já vir com algumas modificações incorporadas.

Uma das novidades de Forza Horizon 6 são missões de entrega de comida (imagem capturada por Geekinout.pt)
Eram precisas mais opções de personalização
O que senti mais falta em termos de novidades foi a personalização e o tuning visual. Não posso esconder a minha desilusão pela falta de neons, algo que caracteriza tanto a cultura automóvel japonesa. Quanto às modificações, são bastante limitadas. Até carros populares como o Mazda RX-7 ou o Honda Civic Type-R de '97 têm poucos bodykits por onde escolher — e quando digo poucos, refiro-me a três ou quatro.
Percebo que possam existir problemas de licenciamento, mas outros títulos, como Need for Speed Underground, já ofereciam opções muito mais profundas há quase duas décadas. Em Forza Horizon 6, as novidades resumem-se à possibilidade de colocar vinis nas janelas e ao "Forza Aero" individual para cada carro. Continuam a existir imensas opções na personalização de jantes e na parte mecânica, mas o foco parece ter sido desviado.
Estranhamente, a Playground Games decidiu apostar na personalização de elementos que não considero tão relevantes, como a modificação de propriedades e as garagens de exposição. Ter mais conteúdo não é mau, mas trocaria facilmente estas adições por um sistema de tuning visual mais robusto.
Uma recriação fiel do Japão?
O novo mapa, no bom estilo da série, oferece uma versão "best-of" do território nipónico: estradas montanhosas sinuosas, enormes autoestradas, vilas pacatas com casas tradicionais e, claro, o centro urbano de Tóquio. Visualmente, é impossível tecer críticas; a perfeição técnica é absoluta.
No entanto, falta alma a Tóquio. Há poucas pessoas nas ruas e ainda menos carros. A cidade é famosa pela sua densidade populacional extrema, pelo que passear por avenidas quase vazias quebra a imersão. Vários jogadores já tinham apontado esta falha nos vídeos de antevisão e posso confirmar que, na versão final, o problema persiste.
Sendo um jogo desenvolvido exclusivamente para a atual geração (abandonando finalmente a Xbox One), não encontro justificação para a falta de densidade de tráfego, nem sequer como uma opção nas definições para quem procura mais realismo.

As ruas de Tóquio precisam de mais carros (imagem capturada por Geekinout.pt)
Drivatars: os mesmos erros de sempre
Este é outro aspeto onde havia margem para evoluir, mas os problemas de Forza Horizon 5 continuam presentes. Os Drivatars (adversários controlados por IA) continuam a basear-se em rubber banding e numa condução artificial. Mantêm velocidades impossíveis e uma aderência que o jogador não consegue replicar, mesmo com o mesmo carro. As corridas parecem "encenadas" para que só consigas ultrapassar a partir de um momento específico, o que se torna irritante.
Estas falhas são mais gritantes porque houve um intervalo de quase cinco anos entre jogos. A fórmula continua sólida, mas ao sexto capítulo, é de esperar que as arestas sejam limadas.
Iluminação e desempenho de outro nível

Imagem capturada por Geekinout.pt

Imagem capturada por Geekinout.pt
Se há um departamento onde o jogo brilha, é o técnico. É lindíssimo em qualquer ângulo. O sistema de meteorologia e iluminação altera completamente a atmosfera de um local, algo que se nota particularmente no modo fotográfico.
O desempenho é impecável. Testei tanto na Xbox Series X (com os habituais modos Desempenho a 60 FPS e Qualidade a 4K/30 FPS) como no PC (RTX 4070 Super + Ryzen 7 7800X3D em QHD), e em ambos os casos a experiência foi fluida e sem compromissos técnicos.
8/10
Veredicto
Para quem procura um mundo aberto de carros com garantia de diversão, fidelidade gráfica incrível e uma jogabilidade que equilibra bem o arcade com o realismo, a verdade é que não existem alternativas à altura no mercado. Se gostaste do antecessor, Forza Horizon 6 é uma compra segura, desde que estejas consciente de que as novidades são escassas. Havia potencial para capturar melhor a essência da cultura JDM, mas, mesmo com estas falhas, continua a ser um jogo altamente apelativo que te vai roubar dezenas de horas.
Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.
Sobre
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