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Mina the Hollower (análise) | Mais uma mina de qualidade indie

Mina the Hollower review
Imagem capturada por Geekinout.pt

Maioritariamente conhecida pelo sucesso de Shovel Knight, e a precisar de um lançamento com sucesso suficiente para manter as “portas” abertas, o estúdio Yatch Club Games aproveitou algumas das lições aprendidas com o seu êxito prévio para construir uma novo IP original.

Voltando a apostar numa estética 8-bit, Mina the Hollower tenta, desta forma, aglomerar o melhor de vários géneros diferentes num único pacote, resgatando elementos de design dos Castlevanias, dos tradicionais Legend of Zelda, um grau de dificuldade arrojado e combate desafiante relembrando Bloodborne, afim de criar uma experiência moderna, que ainda assim, evoca aquele charme old-school.

Após 6 anos de desenvolvimento, chegou o momento do tudo ou nada para este estúdio indie, deixando o seu trabalho árduo falar por si mesmo, o que, até agora, já resultou em mais de 300 mil unidades vendidas para Mina the Hollower – um marco importante para assegurar o futuro da marca. Parecendo uma aventura que me enchia as medidas, e não estando consciente de que estava a fazer uma pequena parte em ajudar na sobrevivência do estúdio, decidi adquirir o título e, ao ter rolado aos créditos após 14 horas, está na hora de deixar as minhas impressões.


Mina the Hollower

  • Plataforma de teste: PC

  • Outras plataformas: Switch 2

  • Tempo para terminar: 14 horas

  • Onde comprar? Instant-Gaming


Mina The Hollower
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Mina The Hollower análise

A história: reparando um mundo em perigo

Em Mina the Hollower, chegamos a Tenebrous Isle após um pedido de ajuda por parte de Lionel, barão governante do local, que nos invoca para reparar 6 Spark Generators, instalações enormes que em outrora protegiam os habitantes desta ilha. Mas agora se encontram fora de serviço, permitiram a propagação de criaturas monstruosas em todo o lado. Tendo a cidade de Ossex como a nossa base de operações após trilharmos o caminho inicial até lá, o nosso objetivo é fazer frente às hordas de monstros e abrir caminho para cada um destes geradores, de forma a que a paz e a ordem sejam restabelecidas.

Mas será que estas torres gigantes e os geradores que se encontram no seu topo, criados por Mina e Lionel, são realmente a salvação da ilha… ou apenas o catalisador da sua destruição? Através da exploração do mundo, interação com os seus diversos habitantes e aprendizagem sobre esta ilha, o enredo vai-se adensando e, na finalidade, o que parecia uma urgente visita de reparação e manutenção tem um significado maior do que inicialmente aparentava.

Com diálogo executado unicamente por balões de texto e personagens que preenchem papéis simples, mas que conseguem brilhar em cada um deles, este é um local excitante de desbravar, onde podes encontrar uma história sólida, que sempre manteve o meu interesse em avançar rumo aos próximos locais e descobertas.

Mina The Hollower história
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Jogabilidade tradicional, fluida e refrescada

Com uma vista de de cima para baixo relembrando clássicos como Link’s Awakening no Gameboy, este jogo pode parecer simples na sua essência, mas tem imensa profundidade.

Logo no início, é oferecida a escolha entre 3 armas diferentes:

  • Whisper and Vesper: um punhal veloz, mas de curto alcance;

  • Nightstar: um flail de médio alcance;

  • Blaststrike Maul: marreta potente que permite charged attacks devastadores, a escolha que me carregou até ao final do jogo.

Podes também encontrar mais dois tipos de armamento pelo mundo fora, através de exploração dos vários locais.

Também nas cartas está uma visita a Legovich, o ferreiro de Ossex, para adquirir uma melhoria para as tuas ferramentas, que, no caso da minha marreta, era um ataque carregado ainda mais potente do que o normal, mas que também demora mais tempo a estar pronto. É também possível encontrar vestimentas diferentes que oferecem benefícios adicionais, desde redução de dano a aumentar a tua barra de HP consideravelmente, fazendo toda a diferença entre a vida e a morte.

Com o loadout equipado e pronto para a aventura, temos um mundo aberto para explorar e 6 geradores para reparar, mas para chegar lá, há todo um caminho a fazer. Cada um dos geradores encontra-se num bioma distinto, seja numa cripta repleta de vida, num pântano letal ou um pico de montanha frigido, onde podes encontrar vários desafios. Num dos biomas mais memoráveis, és perseguido pela criatura stalker, e que não consegues ferir até ao final, fazendo lembrar algo saído do Resident Evil. Com um elenco bem diversificado de inimigos, bosses imponentes e variados, personagens amigáveis que nos ajudam ou oferecem missões secundárias e uma pletora de desafios de plataformas, a experiência mantem-se fresca de forma constante.

A variedade disponível é realmente incrível, e mesmo na masmorra final, que envolve bastantes elementos para testar as lições aprendidas pelo jogador ao longo do jogo, existem, ainda assim, momentos originais misturados para manter o nível de alerta. O mercado indie é reconhecido pela sua ingenuidade e ideias frescas na indústria, algo que Mina tem em doses bem generosas, aproveitando conceitos já comprovados, mas implementando a sua pincelada repleta de frescura e fluidez ao longo de toda a jogabilidade.

Evolução constante

Mina The Hollower Bone Up
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Mina começa com um número limitado de ferramentas — seja de agressividade ou de sobrevivência — mas conforme vais explorando os diferentes biomas e recantos da Tenebrous Isle, a nossa protagonista vai evoluindo consideravelmente. A forma mais básica de evolução é o sistema de Bone Up, que é basicamente um sistema de Level Up, onde podes melhorar quatro atributos distintos, permitindo aumentar o teu dano infligido ou reduzir os pontos de HP perdidos a cada pancada que levamos. Para subir um nível, tens que acumular Bones, algo que é aglomerado com facilidade, seja ao derrotar inimigos, ao escavá-los do solo ou a interagir com NPCs. Ainda assim, este é um recurso que podes perder se os teus pontos de vida forem reduzidos a 0 enquanto não tiveres Spark restante, num sistema semelhante ao de vários jogos do género Souls ou de Hollow Knight, por exemplo.

É também possível encontrar várias sidearms espalhadas pelo mundo, que estão limitadas a um recurso bastante abundante, podendo ser melhoradas em termos de dano via Bone Up, e variam entre companheiros que te acompanham nas lutas, machados devastadores que podes arremessar pelo ar e um dash que te dá invulnerabilidade temporária e causa dano nos inimigos, entre muitos outros. A única inconveniência é que estes são perdidos a cada morte e são gerados de forma randomizada pelos diversos locais, tornando-a numa ferramenta com bastante potencial, mas altamente inconstante em termos de valor para o jogador.

Para te manteres vivo, tens os essenciais Plasma Vials, capazes de armazenar algum do teu dano infligido em forma de vida recuperável, que a restabelece quando são consumidos, num sistema que recompensa a agressividade, mas deixa pouca margem de manobra para a velha estratégia de criar distância e enfrascar poções repetidamente, algo a que facilmente me habituei. Começando com três Vials, quantidade cujo máximo pode ser aumentado ao longo da jornada, é possível recuperá-los ao visitar os vários Underlabs, locais que funcionam como refúgio das hostilidades e checkpoints.

Também existem 60 trinkets por descobrir que fornecem buffs adicionais a Mina, aumentando a sua versatilidade e adequando-se ao tipo de jogabilidade que preferires. Como tinha a minha marreta potente a carregar-me em termos de dano, optei por equipar opções mais defensivas. Tinha um que aumentava o valor máximo dos meus Vials em duas unidades, outro que me permitia curar de forma muito mais rápida do que o normal e um terceiro que me ressuscitava à primeira morte após cada visita a um dos Underlabs. Com apenas um slot para trinkets inicialmente, podes adquirir Trinket Bags para aumentar a tua capacidade máxima para este tipo de equipamento, apelando à versatilidade.

Com uma curva de dificuldade apertada, esta pode ser bem contornada com exploração, upgrades certeiros e compras acertadas nos vários NPCs. Ainda assim, o desafio nunca deixou de me oferecer um nível satisfatório… ainda que tenha apanhado um momento menos positivo que advém do design aberto do mundo.

O mundo aberto e alguns pontos menos positivos

O mundo aberto de Mina the Hollower traz consigo bastantes interações simples que realmente o tornam num mundo vivo. Tens o Klumpy Dee, um palhaço que, do nada, aparece para te contar uma piada, um NPC que te rouba no meio da rua, e até um shopkeeper de Ossex que, de repente, estende o seu braço gigante e te puxa para a sua loja, quer queiras, quer não. Existem mais aspetos do género que valorizam o jogador que emprega o seu tempo a passear pela Tenebrous Isle, tornando este num local mais dinâmico, contudo, há aspetos que deixam um pouco a desejar.

Ao libertar o jogador para trilhar o seu próprio caminho, Mina depara-se com um problema. Como cada masmorra tem um grau de desafio crescente, o título tenta guiar o jogador ao objetivo pretendido para evitar picos de dificuldade excessivos, mas esta liberdade permitiu-me passar do primeiro bioma para o terceiro, sem me aperceber que estava a dar um passo maior que a perna.

Pensando que estava apenas a enfrentar uma escalada de hostilidades normal e que tinha de ser mais cuidadoso, consegui reparar este gerador após um número elevado de fatalidades, até me aperceber que tinha ignorado o local para onde devia ter ido naturalmente. Graças aos Bone Ups adicionais na zona prévia, a minha passagem pelo Nox’s Bayou, supostamente a segunda paragem que devia ter feito, foi facílimo e o meu sucesso acabou por ser insatisfatório.

Mina The Hollower Open World
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Além disso, o sistema de Fast Travel também deixa um pouco a desejar. Além de espelhos que, além de dar acesso a uma das zonas finais do jogo, estão interligados e permitem encurtar distâncias, e de um comboio – para o qual podemos reparar ao oferecer Bones para financiar a sua recuperação – que liga vários pontos, não existe mais nenhum método para te movimentares de forma rápida. Como os espelhos em si estão escondidos nos diferentes biomas e as estações de comboio têm que ser visitadas a pé, e nem sempre estão à mão, gostaria de ter uma maneira mais cómoda para me deslocar, resultando num melhor incentivo à exploração.

O mapa, que pode ser adquirido em Ossex, está associado a uma missão secundária e até pode acabar por passar despercebido a muitos jogadores. Após a sua aquisição, este encontra-se acessível nos Underlabs para consulta sempre que necessário, mas não é uma grande ajuda para encontrar o caminho a seguir. Se queres encontrar a melhor maneira de prosseguir conforme pretendido, a minha recomendação é ler os jornais após a reparação de cada gerador e dialogar com os diversos NPCs.

São pequenos atritos que podiam ser melhorados, num mundo aberto que, ainda assim, vale a pena descobrir a pente fino, tamanho o volume de segredos escondidos, interações especiais e itens para colecionar que estão espalhados e raramente são inconsequentes, por muito que possam não encaixar na tua build.

Gráficos: Um jogo old-school atual e cheio de personalidade

Mina The Hollower Gráficos
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A Tenebrous Isle – apesar de ser completamente realizada a 8-bit – é um local representado de forma exímia. O design visual é excelente, reincarnando jogos de uma era prévia, emanando todo o charme da altura, com enorme sucesso. A cidade de Ossex está repleta de edifícios, NPCs espalhados por todos os cantos a interagir e um imponente castelo no seu topo, enquanto que o resto dos biomas são facilmente identificáveis e variados, sem nunca perder a sua coesão estética.

A sua banda sonora é igualmente soberba, cheia de música que fica no ouvido, deixando-me a cantarolar e a abanar a cabeça ao ritmo conforme me focava no platforming exigente e inimigos perigosos. Jake Kaufman, regressado após ter contribuído para Shovel Knight, oferece mais uma OST carregada de pérolas chiptune, que por si só, tornavam cada dungeon um prazer de descobrir e transpor.

A Steam Deck é a casa ideal para Mina, oferecendo horas mais que suficientes de bateria, mesmo para uma sessão de jogo mais prolongada, funcionando perfeitamente com os inputs do dispositivo e sem problemas de performance. É um jogo leve, nunca me causou problemas como crashes ou algo assim, e não reparei em bugs ou outras situações do género nas minhas 14 horas passada com o título, ainda que tenha reparado que o estúdio tem sido expedito a lançar atualizações diárias para aprimorar pequenos erros que a comunidade tem encontrado e reportado.

Prós:

  • História sólida que intriga e inclui alguns twists;

  • Grau de dificuldade exigente, mas justo, resultando em momentos triunfantes catárticos;

  • Visuais consistentes e trilha sonora magnifica;

  • Mundo repleto de charme e coração para absorver o jogador;

  • Imensas opções de customização em termos de jogabilidade;

Contras:

  • Sistema de Fast Travel e o mapa do mundo podiam ser melhor implementados;

  • Mundo aberto por vezes permite saltar a ordem pretendida das dungeons;

  • Sistema de randomizar a disponibilidade das sidearms.

Um jogo excelente que se destaca dos demais dentro do mesmo género. Definitivamente, uma compra segura.
Pontuação da review: 9/10

9/10

Veredicto

Mina The Hollower pegou em vários géneros e agregou-os num pacote de excelência, com jogabilidade exigente, mas satisfatória, que me cativou de forma constante. Tem ainda uma história sólida e um mundo com personalidade e charme que demonstra a paixão envolvida na sua criação, tudo isto por um preço de admissão bem acessível. Raros são os momentos em que tira o pé do travão em termos de oferecer novos desafios, numa constante escalada de hostilidades, com a qual o mundo aberto por vezes entra em conflito. O estúdio precisava de uma vitória e, na minha opinião, esta é uma experiência que a merece sem sombra de dúvida, num dos meus jogos favoritos de 2026 até agora, culminando em mais um triunfo do mercado indie.

Foto de Pedro Gomes - Autor na Geekinout
Autor

Pedro Gomes

Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.