A tua plataforma para te manteres a par do que se passa no mundo do gaming, mas não só. Não percas as nossas notícias, reviews, artigos de opinião, e também dicas de fitness para te manteres forte e saudável. Vive melhor, joga melhor.

Contactos

Primata (crítica) - Monkey Myears

Primata critica cinema
Crédito da imagem: Paramount Pictures / NOS Audiovisuais

Num dos vídeos promocionais de Primata (Primate, no título original), um grupo de espectadores foi convidado a assistir a um visionamento antecipado do filme. As imagens não mostram o que está no ecrã, focam nas reações da plateia: rostos em choque, mãos a tapar a boca, olhos desviados num misto de repulsa e incredulidade.

Essa estratégia de marketing construiu a expectativa de um filme profundamente grotesco e brutal, capaz de testar os limites do desconforto. E embora Primata não fuja completamente a essa promessa (há violência e momentos perturbadores), a experiência final acaba por não corresponder ao impacto sugerido. Depois de ver o filme, ficou a sensação de que a provocação anunciada é maior do que aquela que o próprio filme consegue, de facto, entregar.

Às vezes pergunto-me se estarei dessensibilizado para este tipo de filmes, até porque sou um consumidor ávido de cinema de terror, dos slashers ao sobrenatural. Ainda assim, não consigo esconder que, neste caso, estava à espera de mais.


Sobre Primata

  • Realizador: Johannes Roberts

  • Estreia em Portugal: 22/01/2026

  • Duração: 1h29m

  • Género: Terror


Este não é o Macaco Adriano

A premissa de Primata é simples e direta. O filme acompanha Lucy, que regressa da faculdade à casa da família no Havai para passar férias com alguns amigos e familiares. No entanto, esta não é uma casa comum: nela vive Ben, um chimpanzé invulgarmente inteligente.

Ben é uma herança deixada pela mãe de Lucy e de Erin, a irmã mais nova, uma linguista que dedicou a vida a tentar ensinar chimpanzés a comunicar com humanos. Após a sua morte, vítima de cancro, a família decidiu manter Ben, que é tratado praticamente como um membro integral.

No entanto, tudo começa a correr mal quando Ben é mordido por um animal enquanto se encontra na sua jaula e acaba por contrair raiva. A partir daí, entra numa espiral homicida, virando-se contra Lucy, Erin e os seus amigos, que ficam encurralados dentro da casa, sem forma de escapar (não entrarei em detalhes para evitar spoilers)

Monkey Myears

Na parte inicial do filme, o realizador Johannes Roberts, que desde 2004 tem construído uma carreira ligada ao cinema de terror, tenta aproximar-nos das personagens, não apenas dos humanos, mas também de Ben. O filme faz questão de sublinhar a sua inteligência e capacidade de comunicação, seja através da linguagem gestual (o pai de Lucy e Erin é surdo), seja com o recurso a um tablet de grandes dimensões que emite palavras.

Esta primeira metade funciona e é, no geral, eficaz. O problema surge na segunda parte, onde o filme começa a afastar-se de forma demasiado evidente da realidade. As personagens humanas cometem erros difíceis de justificar, enquanto Ben parece consistentemente mais inteligente do que todas elas. Depois de contrair raiva, o chimpanzé transforma-se num verdadeiro serial killer, capaz de competir com figuras como Michael Myers ou Jason.

Não é incomum que filmes de terror centrados em animais lhes atribuam uma inteligência acima da média. Ainda assim, para um animal supostamente afetado por raiva, Ben comporta-se como se tivesse um plano meticulosamente delineado para eliminar toda a família. O resultado acaba por ser menos um filme de terror e mais uma espécie de comédia grotesca, ainda que involuntária.

Quatro paredes, nenhum refúgio

A casa funciona bem como palco para o terror que o filme tenta construir. Trata-se de uma habitação grande, com várias divisões, espaços escondidos e vigas expostas no teto, elementos que permitem a Ben esconder-se, surgir de surpresa e circular com uma vantagem clara. Ao mesmo tempo, o espaço oferece alguma margem de manobra às personagens humanas, que conseguem fugir, improvisar e tentar encontrar uma solução para escapar ao pesadelo em que se encontram. Nesse sentido, a casa acaba por funcionar quase como uma jaula metafórica, invertendo os papéis: o animal é quem controla o território, enquanto os humanos ficam presos dentro dele.

Um jogo mediano, que tem algumas coisas positivas, mas que tem outras tantas negativas. Definitivamente, não vale o preço de lançamento.

Veredicto

No final, Primata acaba por ser um filme que promete mais do que entrega. Apesar de alguns momentos eficazes, de um espaço bem aproveitado e de uma ideia com potencial, a execução perde-se numa escalada de exagero difícil de levar a sério. Quem procura um terror animal cru e sem grande preocupação com lógica pode encontrar aqui algum entretenimento. Para quem esperava um filme realmente perturbador, o impacto fica aquém do esperado.

Autor

Jorge Loureiro
Fundador da GeekinOut

O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.