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Metroid Prime 4: Beyond (análise) | Valeu esperar 18 anos?

Metroid Prime 4 análise
Crédito da imagem: Nintendo

Durante muito tempo, Metroid Prime 4 foi uma verdadeira pedra no sapato da Nintendo.

Anunciado no já distante ano de 2017, durante a E3, poucos meses depois da primeira Nintendo Switch chegar às lojas, o jogo acabou por se transformar num daqueles casos clássicos de produções presas no chamado “inferno do desenvolvimento”; um termo reservado a projetos problemáticos, marcados por sucessivos atrasos e longos silêncios.

Num gesto pouco habitual de transparência com os fãs, a Nintendo confirmou em 2019 que a produção tinha sido totalmente reiniciada. Kensuke Tanabe, produtor dos anteriores Metroid Prime, manteve-se no leme do projeto, mas a responsabilidade passou para a Retro Studios, ficando pelo caminho a parceria com a Bandai Namco, que não estava a conseguir atingir o progresso desejado.

Foram precisos mais seis anos para o jogo ficar finalmente pronto para lançamento, chegando em dezembro de 2025. Foi tanto tempo de espera que, pelo meio, a Nintendo lançou uma nova consola, a Nintendo Switch 2, cuja versão de Beyond apresenta melhorias ao nível do desempenho e funcionalidades adicionais de jogabilidade, com destaque para os controlos em estilo rato através dos Joy-Con 2.

Com um intervalo de 18 anos em relação a Metroid Prime 3 , e com tantos jogos do género metroidvania lançados entretanto – existe até quem questione se este jogo é realmente um metroidvania ou não – será que Beyond consegue manter a série relevante no panorama atual?


Sobre Metroid Prime 4 Beyond

  • Versão testada: Nintendo Switch 2

  • Produtora: Retro Studios

  • Tempo para terminar: 13 horas

  • Preço: 69,99 €


Metroidvania ou apenas um jogo de ação e aventura?

A verdade é que Metroid Prime 4: Beyond afasta-se de alguns dos pilares mais característicos da saga. O mais evidente é a ausência de um mundo (ou mapa) totalmente interligado. Este novo capítulo não chega a ser um mundo aberto, embora inclua uma vasta área desértica que funciona como elo de ligação entre as diferentes zonas. Ainda assim, existem ecrãs de carregamento pelo meio, o que quebra a sensação de continuidade. Beyond é, por isso, muito mais como um jogo de ação e aventura do que como um metroidvania puro e duro, apesar de continuar a exigir algum backtracking a áreas previamente visitadas para garantir a progressão.

Depois de concluída a primeira área, que funciona como tutorial, o jogo apresenta-nos a área do deserto (Sol Valley). Apesar de ter alguns pontos de exploração, na forma shrines que apresentam puzzles para desbloquear mais upgrades para Samus, é uma zona pouco entusiasmante e que rapidamente perde o interesse. Não ajuda que vai ser necessário atravessá-lo várias vezes entre diversos pontos para chegar ao fim. Mesmo depois de desbloquear a moto Vi-O-La de Samus, este deserto é uma verdadeira seca, no sentido literal e metafórico. Por vezes, a percorrê-lo, surgem alguns inimigos, mas são encontros colocados estrategicamente para quebrar a monotonia, sem nenhuma recompensa apelativa.

O objetivo da aventura é juntar cinco chaves para um teletransportador, a única forma para escapar de Viewros, um mundo antigo e misterioso que está numa dimensão diferente dos mundos aos quais a Federação Galáctica tem acesso. Para isso, Samus terá que desbloquear diferentes habilidades e explorar vários tipos de áreas, desde florestas, desertos, a zonas vulcânicas e geladas. Infelizmente, a qualidade destas áreas varia consideravelmente. Para mim, excluindo o deserto visto que serve maioritariamente como uma área de ligação (mais mais adiante vai ter um peso maior), a pior parte foi a Volt Vorge, composta por três torres. É uma secção que mostra o pior do jogo: repetitiva e excessivamente linear.

A jogabilidade leva o resto do jogo às costas

Testei exclusivamente a versão para a Nintendo Switch 2 e há elogios claros a fazer ao desempenho técnico. Tanto o modo de qualidade (1440p com upscale para 4K a 60 fps) como o modo de desempenho (1080p a 120 fps) oferecem uma experiência consistentemente fluida. Ainda assim, é o modo de 120 fps que mais se destaca, não só pela suavidade da imagem, mas também pelo excelente tempo de resposta aos controlos, algo que faz toda a diferença num jogo onde a precisão é fundamental.

Juntando a isto os controlos em estilo rato proporcionados pelos Joy-Con 2, o resultado é um FPS que tinha tudo para ir ainda mais longe. A jogabilidade é, sem exageros, divinal. E é precisamente por isso que custa aceitar que o resto do jogo não consiga acompanhá-la.

Os inimigos comuns revelam-se pouco desafiantes e apresentam um design algo pouco inspirado, raramente obrigando o jogador a sair da sua zona de conforto. Salvam-se os confrontos com os bosses, que exigem precisão, rapidez de reação e capacidade de leitura do combate. Ainda assim, estes encontros representam apenas uma pequena fatia da experiência total, deixando a sensação de que o jogo desperdiça parte do seu enorme potencial mecânico.

O único boss que se destacou pela negativa foi precisamente o último, em particular a sua fase inicial. Esta secção obriga o jogador a manter todos os companheiros com vida; se algum cair, o resultado é game over imediato e o reinício completo do confronto. O problema é que, nesta fase, o boss dispõe de um ataque especialmente devastador que cobre várias áreas em simultâneo, enquanto a IA responsável pelos companheiros deixa bastante a desejar.

O resultado é uma sequência de tentativas falhadas em que a derrota não parece resultar de erro do jogador, mas sim de decisões fora do seu controlo. Tive de recomeçar várias vezes sem sentir que estava a aprender ou a melhorar, apenas a repetir o mesmo processo à espera que tudo corresse melhor. É um momento desnecessariamente frustrante.

Ainda há verdadeiramente momentos Metroid

Apesar do jogo sofrer de várias engrenagens mal oleadas, Metroid Prime 4 Beyond ainda tem momentos em que o espírito da série vem ao de cima. Quando estamos a tentar resolver um quebra-cabeças, com as ferramentas / habilidades que temos ao nosso dispor, a analisar cada detalhe da sala em que estamos, e quando, passados cinco minutos, finalmente percebemos o que fazer, há uma genuína sensação de satisfação. Eram precisos mais momentos destes.

Quanto à história, Beyond foi desenhado para ser um ponto de entrada para estreantes na série. Não precisas de saber mais além de que Samus Aran é uma caçadora de prémios para a Federação Galáctica e que, de alguma forma, acaba por perder sempre todas as suas habilidades no início de cada aventura (ou seja, ao longo do jogo vais recuperando as habilidades que perdeste e mais algumas).

Ainda assim, a presença de Sylux e a sua ligação ao universo Metroid poderiam ter sido melhor contextualizadas. Também nunca cheguei a criar uma verdadeira ligação emocional com os vários NPCs que surgem ao longo da campanha. A série Metroid é conhecida pela sua abordagem minimalista à narrativa, e essa filosofia mantém-se aqui: grande parte do lore está escondido nos scans de objetos, inimigos e personagens. No entanto, mesmo respeitando essa identidade, fica a sensação de que Beyond precisava de um pouco mais de exposição narrativa para dar maior peso à sua história e às figuras que nela intervêm.

Prós e Contras

Prós

  • Jogabilidade excecional, com controlos extremamente precisos

  • Suporte para 120 fps na Nintendo Switch 2

  • Controlos em estilo rato com os Joy-Con 2 são uma mais-valia

  • Encontros com bosses bem desenhados, exigentes e memoráveis

  • Bom ponto de entrada para novos jogadores na série

  • Direção artística sólida e fiel à identidade de Metroid Prime

Contras

  • Estrutura menos focada em exploração interligada, afastando-se das raízes da série

  • Inimigos comuns pouco desafiantes e com design pouco carismático

  • Áreas extensas e pouco interessantes, como o deserto, quebram o ritmo

  • Narrativa pouco desenvolvida, com exposição insuficiente;

  • Secção frustrante no boss final

Oferece alguns momentos divertidos e ideias interessantes, mas não consegue destacar-se verdadeiramente. A experiência é competente, sem nunca ser memorável.

Veredicto

Para um jogo que passou tantos anos em desenvolvimento, Metroid Prime 4: Beyond acaba por ficar aquém daquilo que promete. Existem várias decisões de design questionáveis e a qualidade da experiência revela-se algo inconsistente ao longo da campanha. Se, por um lado, a jogabilidade é verdadeiramente divinal e representa o grande trunfo do jogo, por outro, os raros momentos de exploração mais inspirada e áreas pouco interessantes – como o deserto, em particular a secção final de recolha de cristais verdes – acabam por quebrar o ritmo e enfraquecer o conjunto. Não é um mau jogo, longe disso. No balanço final, Beyond soma mais pontos positivos do que negativos, mas também não se afirma como uma compra obrigatória. É, acima de tudo, um daqueles títulos que faz mais sentido jogar com desconto, quando as expectativas e o investimento estão melhor alinhados com aquilo que o jogo realmente oferece.

Autor

Jorge Loureiro
Fundador da GeekinOut

O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.