Pokémon Pokopia (análise) | União de géneros de sonho para apanhá-los todos
- por Pedro Gomes
- 16 de março, 2026
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O enorme fenómeno mundial que é o universo Pokémon celebra 30 longos anos de vida, trazendo consigo imensos jogos, animes e inúmeros colecionáveis baseados nas ditas criaturas de bolso (não sei como vou encaixar um Snorlax nos meus, mas isso são questões para outra altura). Já com 9 gerações lançadas que contêm entre si mais de 1000 possíveis companheiros para captura, com a décima já a caminho das mãos dos fãs em 2027, não é surpresa nenhuma que haja, ainda assim, espaço para vários spin-offs.
O favorito da minha infância foi, sem dúvida, o Pokemon Snap original da Nintendo 64, no qual me diverti imenso a fotografar os habitantes de Kanto nos seus habitats naturais, enquanto o Puzzle League, da mesma consola, também me proporcionou várias horas de puzzles intensos. Outros, como o Pokémon Go, que foi um verdadeiro vício para mim e considerado uma verdadeira febre mundial, também me levou a esticar as pernas durante uns bons anos, sem nunca esquecer o TCG Pocket que foi a minha primeira experiência pelo mundo das cobiçadas cartas colecionáveis. Há imensos outros, como Colosseum ou Mystery Dungeon que divergem dos tradicionais JRPG que distinguem os jogos mainline dos restantes, e a mais recente série Legends que abraça conceitos mais experimentais, mas, se há um mercado que parece ser uma escolha óbvia à primeira vista, apesar de ainda não ter sido explorado, é o dos cozy games.
Que fã deste universo nunca sonhou com a oportunidade de explorar novos locais onde não temos que nos preocupar em vencer lutas ou conquistar crachás, mas sim em conhecer vários Pokémon, ganhar a sua confiança e fornecer-lhes uma nova casa onde possam ser felizes, numa experiência muito mais casual e acolhedora? Pokopia veio para preencher esse nicho, visando misturar as adoráveis criaturas com fortes inspirações retiradas de títulos como Minecraft e Animal Crossing, misturando também elementos de Dragon Quest Builder, resultando numa receita que parece ser de fácil sucesso. Será que esta mistura aparentemente feita no céu para muitos foi bem executada?
Versão testada: Nintendo Switch 2
Produtor: Omega Force / GameFreak
Género: Casual / Simulação
Preço: €69.99 (compra mais barato aqui)

Imagem capturada por Geekinout.pt
Transformar um mundo abandonado
Em Pokopia tomamos rédeas de um Ditto que, após recuperar os seus sentidos, apenas com a recordação da aparência do seu treinador, depara-se com um mundo desolado e praticamente despido de vida, seja ela humana ou Pokémon... com a exceção do Tangrowth com ar um pouco particular. Aproveitando a única memória que lhe resta, o seu antigo mestre, para usar como molde para se transformar, está na hora de descobrir o que levou ao êxodo em massa de todo o tipo de vida ao nosso redor. Munido com a sua capacidade única de aprender e replicar habilidades das restantes criaturas, está nas nossas capazes e fáceis de transformar mãos a tarefa de voltar popular o mundo e restabelecer os vários ecossistemas com que nos vamos deparando, ao criar, reparar e reconstruir habitats e outras infraestruturas. A escrita em si percorre a fina linha entre o agradar a uma audiência jovem e também às gerações mais velhas que, como eu, cresceram com este universo na sua vida.
Aqui vais encontrar um ambiente que vai sendo trazido à vida, com diálogo que encaixa com as diferentes personagens e interações repletas de charme que ajudam a inspirar a sensação de avanço no restabelecimento dos ecossistemas. Incluindo também imensas referências aos 30 longos anos de existência da franquia, seja através de falas ou de efeitos sonoros nostálgicos que me levaram atrás no tempo, este é sem dúvida um mundo e um enredo que, apesar de não ganharem nenhum prémio por escrita genial ou enredo fora de série, triunfam pela sua simplicidade e acessibilidade a uma audiência de todas as idades ou conhecimento sobre este universo, sem deixar de oferecer um mistério intrigante ao jogador.
Transformação constante
O principal objetivo em Pokopia é tornar várias zonas expansivas prontas para receber os Pokémon, guiado pelo Professor Tangrowth, um dos poucos habitantes que ainda retém memórias, ainda que vagas e a precisar de ser refrescadas, das coisas como eram antes de tudo desaparecer. Ao colocar relva alta, na qual grande parte das criaturas se escondem nos jogos principais, zonas onde podem praticar as suas especialidades e áreas que são as mais confortáveis para certas espécies, criamos habitats onde a vida volta a aparecer. Sendo revelados ao jogador e anotados para facilitar a sua construção, estes são bem variados e vão exigindo níveis variantes de dificuldade no que toca a combinar tudo o que é preciso para serem criados. Se as criaturas mais básicas só pedem zonas verdejantes e uma árvore por perto, outras mais raras exigem mesas com comida pronta para ser consumida ou locais com maior elevação, por exemplo.

Imagem capturada por Geekinout.pt
Ligado ao restabelecimento da vida, está também a disponibilidade de habilidades essenciais ao nosso progresso. Além do Ditto precisar de ter uma fonte de inspiração para aprender técnicas que o permitem esguichar água, plantar ervas ou partir várias superfícies, todos os restantes Pokémon trazem consigo skills que fazem a diferença, desde a capacidade de eletrificar postes de iluminação à de fazer com que as nossas sementes plantadas cresçam de forma acelerada. Ou seja, para lá do tradicional conceito Catch'em All estar aqui bem presente pelo simples prazer de reavivar os nossos arredores e pelo habitual desejo de completar o nosso Pokedex, o nosso progresso dá-nos também novas ferramentas essenciais e, adicionalmente, recursos úteis para melhorar os diversos ecossistemas. Além disso, temos o bónus adicional de ver as interações entre diferentes espécies e a socialização entre elas, sendo isto por si só um bom prémio para o jogador e uma métrica extra para avaliar o nosso trabalho.
Fora da aventura principal, dos objetivos secundários e o geral processo de embelezamento das diversas áreas, Pokopia traz consigo imensas distrações adicionais, desde montões de receitas desbloqueáveis, um modo mais sandbox através das Dream Islands, minijogos, CDs escondidos que te deixam tocar trilhas sonoras icónicas deste universo e eventos que irão levar a visitas após os créditos rolar, o primeiro dos quais levou à introdução da linha evolucionária de Hoppip, e muito mais.
Tudo isto resulta num volume de conteúdo bem elevado e numa progressão que sai naturalmente a qualquer fã que esteja desejoso de descobrir quais dos Pokémon foram incluídos no Dex de Pokopia, que aproveita todas as gerações lançadas até agora e adiciona umas novas "variantes" exclusivas pelo meio, evitando que o tempo investido neste mundo seja, em grande parte, um grind desnecessário..., mas há alguns pontos menos positivos.
Pequenos deslizes
Infelizmente, Pokopia não é uma experiência perfeita e, para mim, acaba por tropeçar em dois aspetos.
O título separa a aventura em diversas zonas bem expansivas sem se tornarem desnecessariamente inchadas, mas a cada uma destas zonas, perdemos acesso aos nossos companheiros desbloqueados numa prévia, obrigando a repetir o processo de descoberta de novas espécies, melhoria do nível de ecossistema, etc. Enquanto a primeira zona me prendeu a atenção e as horas voavam sem que desse por ela, nas áreas seguintes a sensação de repetição começou a instalar-se e os níveis de diversão já não eram os mesmos, ainda que a descoberta de novos Pokémon associados às diversas zonas me mantivesse interessado. Talvez seja por não estar muito ligado ao género de cozy games e este seja um aspeto inerente do mesmo, mas sinto que é algo que podia ser feito de melhor forma para diversificar a experiência em si.

Imagem capturada por Geekinout.pt
Outro aspeto menos positivo é o de empatar o progresso em vários aspetos. Construir infraestruturas incorre um tempo de espera e, ainda que grande parte dos obrigatórios para seguir as missões principais seja de 10 a 15 minutos, existem outros que fazem o jogador aguardar de um dia para o outro. Também para alcançar o spawn de alguns Pokémon é preciso esperar uma quantidade variada de minutos, com espécies mais raras a demorar mais tempo a aparecer. Se é verdade que existem muitas tarefas que distraem a atenção e levam à ilusão de que estes períodos de espera pareçam mais breves, as inclusões destes constantes tempos de espera podem levar, por vezes, a momentos menos positivos para quem tem alturas mais curtas para jogar e acaba por encontrar uma lomba maçadora nas suas preciosas horas ou minutos alocados para avançar nesta aventura.
Este é um título que por si só inclui uma quantidade de horas de diversão quase ilimitada que se estendem além dos objetivos delineados, deixando o jogador criar reais obras de arte em cada uma das zonas até ao limite das suas imaginações, por isso penso que estes processos podiam ser acelerados de forma não estorvar a criatividade e ímpeto da comunidade.
Um local acolhedor e aprimorado
O mundo de Pokopia é pintado de forma simples, mas característico a si mesmo, com um estilo gráfico que retira pontos do universo Pokémon e uma estrutura semelhante à do Minecraft, no qual quase tudo são blocos, deixando ainda assim espaço para a inclusão de estruturas com aspeto mais natural, resultando num pacote visual bem atrativo e convidativo. A performance é imaculada e o título corre de forma exemplar, sem crashes, abrandamentos ou bugs preocupantes, apesar de haver algumas instâncias em que alguns dos habitantes das minhas áreas gostassem de falar de uma zona pouco confortável, como no topo de uma árvore.
Se há um ponto negativo a apontar, são os tempos de carregamento que se prolongam um bocado quando viajava entre zonas, algo que me surpreendeu tendo em conta o sistema de armazenamento mais rápido da Switch 2 – sei que antigamente os períodos de loading eram muito maiores e nem se dava por isso, mas acho que as tecnologias mais recentes me desabituaram desses tempos.
Prós:
Aventura repleta de charme e personalidade, cativante para todas as idades;
Progressão natural com imenso por descobrir;
Um verdadeiro recreio para a mente criativa;
Polimento, visuais e performance de alto calibre.
Contras:
Estrutura repetitiva de objetivos nas diferentes áreas;
Diversas tarefas que envolvem períodos de espera, por vezes excessivos;
Tempos de carregamento entre áreas um pouco prolongados;
Veredicto
Com inúmeras horas de conteúdo, um mundo charmoso e repleto de personalidade, e uma combinação de elementos que funciona de forma perfeita, é uma experiência que agradará a fãs do mundo Pokémon e do género cozy. Ainda assim, a estrutura um pouco repetitiva da aventura e tempos de espera constantes são pontos que ofuscam algum do brilho deste título repleto de qualidade e motivos para merecer inúmeros regressos dia após dia. Tudo considerado, apesar das suas imperfeições, Pokopia parece-me ser o título que levará muitos fãs de cozy games a investir numa Switch 2, e de forma merecida, já que o conteúdo da atualizada versão de Animal Crossing não me pareceu suficiente para justificar o upgrade.
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Pedro Gomes
Um verdadeiro amante de videojogos desde muito cedo e sendo o seu hobby preferido sempre, o Pedro tenta agora, como um adulto irresponsável, arranjar tempo para uma jogatana quando os seus dois demónios peludos favoritos o permitem.
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