Videojogos fazem mal às crianças? Especialistas dizem que o problema não é o que muitos pensam
- por Jorge Loureiro
- 9 de março, 2026
- 0
Durante anos, os videojogos foram frequentemente apontados como uma das grandes preocupações dos pais. Demasiado tempo de ecrã, distração da escola ou isolamento social são críticas comuns sempre que o tema surge.
Mas vários especialistas em educação e psicologia defendem que a discussão não é tão simples. Em muitos casos, os videojogos podem estimular criatividade, imaginação e resolução de problemas, sobretudo quando envolvem construção, exploração e liberdade para criar.
Jogos como Minecraft ou Roblox, por exemplo, permitem aos jogadores inventar mundos, construir estruturas complexas e experimentar ideias próprias dentro de ambientes digitais.
A criatividade também pode nascer no digital
Segundo especialistas citados num artigo publicado pelo El País, os videojogos baseados em construção e exploração podem estimular criatividade e pensamento autónomo nas crianças.
Nestes ambientes, as crianças podem experimentar ideias, criar narrativas próprias e testar soluções diferentes para os problemas que encontram no jogo. Para psicólogos infantis, esse tipo de atividade aproxima-se do chamado jogo simbólico, uma fase importante no desenvolvimento cognitivo e emocional.
Apesar dos possíveis benefícios, os especialistas sublinham que o impacto dos videojogos depende sobretudo da forma como são integrados na rotina das crianças.
Entre os pais existem geralmente três atitudes distintas:
permitir jogar sem limites
proibir completamente os videojogos
ou encontrar um equilíbrio entre jogo e outras atividades
A terceira abordagem tende a ser a mais recomendada por especialistas. Em vez de proibir, o ideal é estabelecer regras claras e acompanhar aquilo que os filhos estão a jogar.
Ter a consola em espaços comuns da casa, verificar se as responsabilidades escolares estão cumpridas e conversar sobre os jogos são algumas das estratégias sugeridas.
Mas os pais têm um papel fundamental
Outro aspeto frequentemente mencionado é a importância do envolvimento dos pais.
Quando os adultos demonstram interesse pelos jogos dos filhos, ou até jogam com eles, os videojogos deixam de ser apenas uma atividade solitária e passam a fazer parte da dinâmica familiar.
Além disso, observar como as crianças jogam pode ajudar os pais a perceber melhor como lidam com desafios, frustração ou cooperação.
Mas isto não significa que os videojogos estejam isentos de riscos.
Especialistas alertam que o uso excessivo pode tornar-se problemático quando começa a substituir atividades essenciais como o sono, a escola, o convívio social ou outras formas de lazer.
Também pode ser sinal de alerta quando o jogo se torna a única forma de lidar com emoções negativas.
Por essa razão, a maioria dos investigadores concorda numa ideia simples: o segredo não está na proibição total nem na permissividade absoluta, mas no equilíbrio.
Quando usados com moderação e acompanhamento, os videojogos podem ser mais uma ferramenta de exploração e criatividade e não necessariamente um obstáculo ao desenvolvimento das crianças.
Fontes:
El País — Así pueden influir los videojuegos en el desarrollo creativo de los niños
Verónica Marín, professora de tecnologia educativa na Universidade de Córdoba
Miriam Miguel, psicóloga infantil e professora na Universitat Oberta de Catalunya
Estudo “The Impact of Online Games on Creativity and the Role of Imagination”, publicado em Frontiers in Behavioral Neuroscience (2025)
Estudo “Shaping Creativity”, publicado em Journal of Learning Analytics (2025)
Tags:
Jorge Loureiro
O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.



0 Comentários
Efetua login para comentar