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Videojogos fazem mal às crianças? Especialistas dizem que o problema não é o que muitos pensam

Videojogos fazem mal às crianças
Imagem gerada por IA (crédito: geekinout.pt)

Durante anos, os videojogos foram frequentemente apontados como uma das grandes preocupações dos pais. Demasiado tempo de ecrã, distração da escola ou isolamento social são críticas comuns sempre que o tema surge.

Mas vários especialistas em educação e psicologia defendem que a discussão não é tão simples. Em muitos casos, os videojogos podem estimular criatividade, imaginação e resolução de problemas, sobretudo quando envolvem construção, exploração e liberdade para criar.

Jogos como Minecraft ou Roblox, por exemplo, permitem aos jogadores inventar mundos, construir estruturas complexas e experimentar ideias próprias dentro de ambientes digitais.

A criatividade também pode nascer no digital

Segundo especialistas citados num artigo publicado pelo El País, os videojogos baseados em construção e exploração podem estimular criatividade e pensamento autónomo nas crianças.

Nestes ambientes, as crianças podem experimentar ideias, criar narrativas próprias e testar soluções diferentes para os problemas que encontram no jogo. Para psicólogos infantis, esse tipo de atividade aproxima-se do chamado jogo simbólico, uma fase importante no desenvolvimento cognitivo e emocional.

Apesar dos possíveis benefícios, os especialistas sublinham que o impacto dos videojogos depende sobretudo da forma como são integrados na rotina das crianças.

Entre os pais existem geralmente três atitudes distintas:

  • permitir jogar sem limites

  • proibir completamente os videojogos

  • ou encontrar um equilíbrio entre jogo e outras atividades

A terceira abordagem tende a ser a mais recomendada por especialistas. Em vez de proibir, o ideal é estabelecer regras claras e acompanhar aquilo que os filhos estão a jogar.

Ter a consola em espaços comuns da casa, verificar se as responsabilidades escolares estão cumpridas e conversar sobre os jogos são algumas das estratégias sugeridas.

Mas os pais têm um papel fundamental

Outro aspeto frequentemente mencionado é a importância do envolvimento dos pais.

Quando os adultos demonstram interesse pelos jogos dos filhos, ou até jogam com eles, os videojogos deixam de ser apenas uma atividade solitária e passam a fazer parte da dinâmica familiar.

Além disso, observar como as crianças jogam pode ajudar os pais a perceber melhor como lidam com desafios, frustração ou cooperação.

Mas isto não significa que os videojogos estejam isentos de riscos.

Especialistas alertam que o uso excessivo pode tornar-se problemático quando começa a substituir atividades essenciais como o sono, a escola, o convívio social ou outras formas de lazer.

Também pode ser sinal de alerta quando o jogo se torna a única forma de lidar com emoções negativas.

Por essa razão, a maioria dos investigadores concorda numa ideia simples: o segredo não está na proibição total nem na permissividade absoluta, mas no equilíbrio.

Quando usados com moderação e acompanhamento, os videojogos podem ser mais uma ferramenta de exploração e criatividade e não necessariamente um obstáculo ao desenvolvimento das crianças.


Fontes:

  • El País — Así pueden influir los videojuegos en el desarrollo creativo de los niños

  • Verónica Marín, professora de tecnologia educativa na Universidade de Córdoba

  • Miriam Miguel, psicóloga infantil e professora na Universitat Oberta de Catalunya

  • Estudo “The Impact of Online Games on Creativity and the Role of Imagination”, publicado em Frontiers in Behavioral Neuroscience (2025)

  • Estudo “Shaping Creativity”, publicado em Journal of Learning Analytics (2025)

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Autor

Jorge Loureiro
Fundador da GeekinOut

O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.