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Game+ Arte, Cultura e Comunidade: a exposição brasileira que celebra o passado e o futuro dos videojogos

Exposição Game+ no brasil
Crédito da imagem: Elio Filho

Neste artigo de estreia para o Geekinout, partilho o registo da visita que fiz à exposição Game+ Arte, Cultura e Comunidade, organizada pela Fundação Itaú Cultural, em São Paulo, Brasil.

Pela terceira vez, o espaço na icónica Avenida Paulista recebe uma mostra dedicada aos videojogos, reunindo passado (com a história dos videojogos) e futuro, ao apresentar projetos acessíveis, inclusivos, diversos e, com orgulho, muitos deles brasileiros.

Game+ Arte, cultura e comunidadeFotografia por Elio Filho

Muito além de “patches” e clones

Quem pensa que a produção nacional brasileira de videojogos se resume a “patches” de títulos como FIFA ou GTA, ou a simples clones de jogos produzidos no estrangeiro, engana-se.

O Brasil tem, nesta área, uma riqueza cultural que vai muito além das capitais. Há projetos vindos do interior do país, da Amazónia e de comunidades indígenas, caiçaras, quilombolas e ribeirinhas. O que antes eram as “tribos” das LAN parties e dos arcades nas grandes cidades são hoje, literalmente, tribos culturais que se unem através da tecnologia e do entretenimento.

Tal como acontece em Portugal, exposições deste género são fundamentais para dar visibilidade a talentos que muitas vezes permanecem fora dos grandes centros urbanos. São uma oportunidade de contacto direto com projetos que dificilmente chegariam ao grande público sem este tipo de iniciativa.

Exposição de Videojogos em São PauloFotografia por Elio Filho

Curadoria que liga tecnologia, arte e comunidade

Fui conhecer pessoalmente a Game+ Arte, Cultura e Comunidade, cuja curadoria — com consultoria do Professor Sergio Nesteriuk — conseguiu reunir num mesmo espaço tecnologia lúdica, arte e inovação, através de um percurso interativo que convida o visitante a experimentar os jogos e a refletir sobre o seu impacto cultural.

Segundo o texto institucional, esta terceira edição articula-se em três eixos curatoriais: compreender o passado dos videojogos, participar no seu presente e pensar o seu futuro.

A exposição reúne 51 jogos e 25 consolas, além de vários outros conteúdos de diferentes géneros e nacionalidades.

Entre os destaques, faço questão de referir o brasileiro Amazônia (1985), do pioneiro Renato DeGiovanni, e o inclusivo Breu: Ataque das Sombras (2023), um áudio-jogo dedicado a pessoas com deficiência visual, mas que pode ser jogado também por quem vê: um verdadeiro exemplo de inclusão.

Merece igualmente destaque o trabalho da ABLEGamers, pelo contributo que tem dado no Brasil e internacionalmente em defesa da acessibilidade no gaming.

Três pisos, três experiências distintas

Distribuída por três andares, a experiência organiza-se em torno dos eixos “Sociedade e Economia Criativa”, “Educação” e “Arte e Inovação”.

Logo à entrada, o visitante é recebido com uma mostra histórica de consolas e jogos clássicos: o meu espaço favorito de toda a exposição.

No piso inferior, o foco está na experiência coletiva: há zonas dedicadas ao movimento e à dança, como Just Dance, e áreas pensadas para o tradicional duelo de sofá, naquele espírito competitivo presencial que marcou gerações.

No último piso, encontramos aquilo que muitos considerariam a “man cave” ideal: cerca de duas dezenas de estações dedicadas a jogos indie, com uma área central bem estruturada para experiências mobile.

Há ainda surpresas curiosas, como um cartucho de E.T. o Extraterrestre para Atari 2600 autografado pelo seu lendário criador, Howard Scott Warshaw, um verdadeiro pedaço de história dos videojogos.

Recomendo também aos leitores portugueses que experimentem Huni Kuin: Yube Baitana (“Os Caminhos da Jibóia”), um jogo apoiado pelo projeto RUMOS que aborda a história do povo Huni Kuin, do Acre, no norte do Brasil.

Consola na exposição Game+ em São Paulo
Fotografia por Elio Filho

Videojogos como força cultural e económica

Os videojogos fazem parte do quotidiano brasileiro e impulsionam a economia criativa. De acordo com o Observatório Fundação Itaú:

  • 52% dos brasileiros já jogaram videojogos

  • 41% jogaram nos últimos 12 meses

  • 88% dos jovens entre os 16 e os 24 anos jogam

  • A participação é semelhante entre homens e mulheres

  • Os videojogos superam, em frequência, atividades como ir ao cinema, assistir a espetáculos de dança ou visitar exposições.

Foi também lançada a 49ª edição do Caderno do Professor, dedicada ao tema Games: o lúdico entre a lógica e a estética, propondo abordar o videojogo como linguagem cultural que articula regras, estratégia, narrativa e estética no contexto educativo.

Uma experiência que vai além do entretenimento

Durante a visita, tive ainda oportunidade de conversar com o Professor Sergio Nesteriuk, cuja experiência académica e contributo para o setor dos videojogos no Brasil foi determinante para a consistência da exposição.

A televisão pública brasileira TV Cultura também realizou uma reportagem completa sobre o evento.

Mais do que uma simples exposição de jogos, a Game+ Arte, Cultura e Comunidade posiciona os videojogos como expressão artística, ferramenta educativa e motor da economia criativa contemporânea.

Agradecimento especial à equipe da Conteudoink.

Foto de Elio Filho - Autor na Geekinout
Autor

Elio Filho

Advogado e consultor entre Brasil, Portugal e EUA, metido em tudo o que envolve imobiliário, investimento e negócios internacionais. Gamer desde sempre, entusiasta de videojogos e colecionador.

Ajuda startups a sair do papel, dá mentoria a projetos indie e está sempre pronto para falar de tecnologia, jogos ou ideias malucas que podem dar certo. O maior achievement da vida? Ser pai da Lais, nenhum troféu platina chega perto.