A tua plataforma para te manteres a par do que se passa no mundo do gaming, mas não só. Não percas as nossas notícias, reviews, artigos de opinião, e também dicas de fitness para te manteres forte e saudável. Vive melhor, joga melhor.

Contactos

Lei que proibe redes sociais a menores de 16 anos vai hoje a votos e pode afetar videojogos

Criança a jogar PS VR
Crédito da imagem: Jessica Lewis

O Projeto de Lei nº 398/XVII/1ª, apresentado pelo PSD, vai hoje a votação na Assembleia da República e propõe uma mudança profunda na forma como menores de 16 anos podem aceder a plataformas digitais em Portugal

Embora o debate público se tenha centrado sobretudo nas redes sociais, o diploma tem implicações diretas para o setor dos videojogos, especialmente para jogos online, free-to-play e plataformas com interação social.

1. Jogos online passam a estar abrangidos

A lei aplica-se explicitamente a:

  • Plataformas de redes sociais

  • Jogos em linha

  • Serviços de partilha de conteúdos

  • Lojas de aplicações

  • Serviços com conteúdos potencialmente aditivos

Ou seja: Fortnite, Roblox, EA Sports FC, Call of Duty, jogos mobile free-to-play e até plataformas como Steam ou PlayStation Network poderão estar abrangidos pela nova lei.

2. Menores de 16 anos deixam de poder jogar autonomamente online

Se for aprovada:

  • A idade mínima para acesso autónomo passa a ser 16 anos

  • Jovens entre 13 e 15 anos só poderão aceder com consentimento parental verificado

  • Menores de 13 anos ficam impedidos de aceder

Isto não significa proibição total de videojogos, mas significa que qualquer jogo online com conta própria poderá exigir verificação formal de idade e autorização parental validada, possivelmente através da Chave Móvel Digital

Para muitas editoras internacionais, isto implicaria adaptar sistemas técnicos apenas para o mercado português.

3. Loot boxes podem desaparecer para menores

Um dos pontos mais relevantes para o gaming está na proibição de “design aditivo” para contas de menores de 16 anos, incluindo:

  • Loot boxes

  • Sistemas de recompensa digital

  • Mecânicas de gamificação destinadas a prolongar o uso

  • Notificações compulsivas

Isto pode ter impacto direto em:

  • Jogos free-to-play

  • Gacha games

  • Títulos com passes de batalha

  • Sistemas de recompensas aleatórias

Na prática, um jogo poderia ter de desativar certas mecânicas automaticamente para contas de menores portugueses.

4. Fim do infinite scroll e autoplay, até nos jogos

A proposta também proíbe:

  • Autoplay

  • Infinite scroll

  • Funcionalidades pensadas para maximizar tempo de utilização

Embora estas funcionalidades sejam mais associadas a redes sociais, vários jogos online e aplicações mobile utilizam sistemas semelhantes de retenção.

A fronteira entre “rede social” e “plataforma de jogo” é cada vez mais ténue, especialmente em jogos com hubs sociais, criação de conteúdo e interação massiva.

5. Multas pesadas para incumprimento

As coimas podem chegar a:

  • 2% do volume de negócios anual mundial

  • Até 2 milhões de euros, conforme o caso

6. O que pode acontecer na prática?

Se for aprovada, podem surgir vários cenários:

  • Editoras bloqueiam contas de menores portugueses até implementarem verificação

  • Implementação obrigatória de sistemas de prova de idade

  • Contas de menores passam automaticamente a privadas

  • Algumas funcionalidades ficam indisponíveis em território nacional

  • Também é possível que algumas empresas optem por limitar funcionalidades em vez de implementar sistemas técnicos complexos.

O diploma justifica-se com base em estudos internacionais que apontam para aumento de uso problemático das redes sociais e risco de dependência digital em adolescentes. No entanto, no setor dos videojogos, a discussão provavelmente será mais complexa.

Hoje a proposta vai a votos. Se avançar, Portugal junta-se a outros países como Espanha, França e Austrália, que também criaram leis para impedir os menores de aceder às redes sociais.

Autor

Jorge Loureiro
Fundador da GeekinOut

O Jorge acompanha ferverosamente a indústria dos videojogos há mais de 14 anos. Odeia que lhe perguntem qual é o seu jogo favorito, porque tem vários e não consegue escolher. Quando não está a jogar ou a escrever sobre videojogos, está provavelmente no ginásio a treinar o seu corpo para ficar mais forte do que o Son Goku.